Xenófobo, fascista e racista, vereador gaúcho que agrediu trabalhadores nordestinos escravizados, é expulso de partido e pode ser cassado

Xenófobo, fascista e racista, vereador gaúcho que agrediu trabalhadores nordestinos escravizados, é expulso de partido e pode ser cassado

O vereador Sandro Fantinel, de Caxias do Sul (RS), na Serra Gaúcha, que fez discurso questionando a repercussão do resgate de empregados em situação de escravidão e ofendendo trabalhadores baianos, foi expulso do Patriota nesta quarta-feira (1º.3). Segundo o partido, o pronunciamento de Fantinel foi “desrespeitoso e inaceitável” e “está maculado por grave desrespeito a princípios e direitos constitucionalmente assegurados, à dignidade humana, à igualdade, ao decoro, à ordem, ao trabalho”.

Ele também pode ser cassado. O ex-vice-prefeito da cidade, Ricardo Fabris de Abreu, protocolou nesta quarta-feira o primeiro pedido de cassação do mandato do vereador. “Caxias do Sul e o Rio Grande do Sul são agora vergonha nacional, acusados de serem locais racistas, extremistas e xenófobos”, disse. Segundo o pedido, “o vereador (Fantinel) não merece ser um representante deste município”.

As bancadas do PT, PDT e PSD devem protocolar um novo pedido de cassação de Fantinel ainda na tarde desta quarta.

Já a Polícia Civil instaurou inquérito na manhã desta quarta. A 1ª Delegacia de Polícia encaminhou um ofício ao presidente da Câmara, vereador Zé Dambrós (PSB), para solicitar as imagens do discuso e o conteúdo do pronunciamento feito pelo vereador.

O caso

Ao comentar o resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão em Bento Gonçalves, o parlamentar defendeu que agricultores, produtores e empresas da região “não contratem mais aquela gente lá de cima”, em referência ao Nordeste, especialmente ao estado da Bahia, de onde vieram a maioria das vítimas.

Falando na tribuna da Câmara, o vereador afirmou que a cultura do povo baiano é “viver na praia tocando tambor”. Ele sugeriu a contratação de argentinos, alegando que “são limpos, trabalhadores, corretos, cumprem o horário e ainda agradecem o patrão”, ao contrário dos nordestinos.

Não nos representa e deve ter uma resposta à altura do Legislativo”

Para a secretária de Movimentos Sociais da CUT-RS e presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Caxias do Sul, Silvana Piroli, “é inadmissível ouvir na Casa do Povo um vereador que agride os trabalhadores e as trabalhadoras”.

“Tenho certeza que a maioria da Câmara não pensa assim, pois esse tipo de comportamento não é do povo de Caxias. Fantinel não nos representa e deve ter uma resposta à altura do Legislativo”, disse a sindicalista.

Silvana lembra que “Caxias se desenvolveu com o trabalho de homens e mulheres e pagar um salário digno é mínimo que espera. Que isso não mais se repita em nenhum espaço público”.

Vereadores de Caxias pedem desculpas ao povo baiano

No início da sessão desta quarta-feira (1º), o vereador Rafael Bueno (PDT) leu um ofício proposto pelas bancadas do PT, PDT e PSD, cobrando posição da Câmara. O texto foi depois assinado por todos os vereadores, exceto Fantinel que não compareceu.

Segundo o documento, “a Câmara Municipal de Caxias do Sul é a Casa da Representatividade e do Respeito. Por isso, a Mesa Diretora não compactua com nenhuma manifestação de preconceito, discriminação, racismo ou xenofobia”.

“Em decorrência do pronunciamento do vereador Sandro Fantinel/PATRIOTA em relação a trabalhadores baianos, na sessão ordinária da última terça-feira (28/02), ressaltamos que foi um posicionamento individual do parlamentar. Não traduz o pensamento e os valores da instituição e nem da totalidade dos vereadores”, explica.

“Também pedimos desculpas ao povo baiano e a todos os migrantes que se sentiram atacados, destacando que são todos muito bem-vindos em nossa Caxias do Sul”, destaca o texto.

“Xenófobo e nojento”

Os governadores do Rio Grande do Sul e da Bahia repudiaram o pronunciamento de Fantinel. Por meio do Twitter, o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) classificou o discurso como “xenófobo e nojento”, frisando que a fala do vereador caxiense “não representa o povo do Rio Grande do Sul”.

“Não admitiremos esse ódio, intolerância e desrespeito na política e na sociedade”, disse. Leite ainda escreveu na rede social que buscará autoridades baianas para que venham ao Estado acompanhar as medidas para “banir o preconceito”.

“Desumano, vergonhoso e inadmissível”

O governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) também repudiou a fala do vereador que fez uso de xenofobia e apologia à escravidão.

“Hoje, um vereador do Rio Grande do Sul, além defender o trabalho escravo nas vinícolas do estado, ainda foi xenofóbico com baianas e baianos. Eu repudio veementemente a apologia à escravidão e não permitirei que se refiram à nossa gente com preconceito”, escreveu Jerônimo.

Para o governador da Bahia, “é desumano, vergonhoso e inadmissível ver que há brasileiros capazes de defender a crueldade humana. Determinei, portanto, a adoção de medidas cabíveis para que o vereador seja responsabilizado pela sua fala”.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), também se manifestou nas redes sociais.

“O RS e o Brasil não são lugares para racistas, escravocratas”

O deputado estadual Leonel Radde (PT) afirmou, em publicação nas redes sociais, que registrou um boletim de ocorrência na polícia contra o vereador e disse que “o Rio Grande do Sul e o Brasil não são lugares para racistas, escravocratas”.

A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) anunciou que o partido irá apresentar um pedido de cassação do mandato do parlamentar. “Precisa ser preso e ter seu mandato cassado, e nós vamos lutar por isso”, antecipou.

“Nordeste merece respeito”

O senador baiano Jaques Wagner (PT) também se manifestou nas redes sociais, repudiando os fatos envolvendo trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão e o discurso racista e xenófobo do vereador caxiense.

O senador pernambucano Humberto Costa (PT) também se manifestou e afirmou que entrou com uma representação junto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) para apurar “crime de racismo cometido pelo vereador bolsonarista Sandro Fantinel”.

“Além disso, também estou entrando com uma representação junto ao MPT (Ministério Público do Trabalho) por danos morais coletivos. O Nordeste merece respeito! Não vamos permitir que tamanha agressão fique impune”, declarou o senador.

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