Bruno Lambert e a receita infalível para ser um fracassado também na “comédia” em pé

Artigo do jornalista Roberto Maciel:

Bruno Lambert e o Safra: direito de falar asneiras e direito e obrigação de demitir

Veja só como a Democracia e a lei podem ser belas e pedagógicas, tudo de uma só vez.

Crente de que é um artista engraçadão, o apresentador quase ignorado de comédia em pé (ou stand-up comedy, como se diz nos EUA) Bruno Lambert (foto acima) saiu-se com essa piada que, acreditamos, julga super-gaiata:

“Você já comeu uma cadeirante? Não? Eu também não. Sabe por quê? Porque não dá (…) Coloquei ela de quatro aqui, ela murchava. Aí você tinha que pegar ela aqui, abaixa… Parece crossfit, entendeu?”

É verdade: isso foi cometido em nome do humor.

E é aí que entra o caráter pedagógico da Democracia e da lei.

Lambert exerceu o direito inalienável de dizer o que bem lhe der na telha. Essa é a beleza da Democracia. Daí, o banco Safra, que pagava o salário dele, exerceu o direito inalienável e a obrigação moral de colocá-lo no olho da rua. Isso é o que a Democracia ensina.

Assim, o “comediante” falou o que quis e ouviu o que não quis.

Depois desse caso, quem tiver mazela moral tão aguda vai pensar duas ou três vezes antes de dizer iniquidades.


Não é preciso que os incomodados sejam políticos – como é o caso da deputada paulista Tábata Amaral (PSB), denunciante do “humorista” -, cadeirantes ou familiares de cadeirantes. É preciso, sim, que estejam atentos ao que prevê a lei, para o que o único requisito são a inteligência, o respeito a outrem e a noção adequada de convivência cidadã.

Determina a lei 13.146, de 6 de julho de 2015, que instituiu o Estatuto da Pessoa com Deficiência: “Considera-se discriminação em razão da deficiência toda forma de distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com deficiência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de tecnologias assistivas”.

Mais: “A pessoa com deficiência será protegida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante”.

O texto ainda observa que “É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico”.


É claro que pessoas como Bruno Lambert ignoram o que a legislação determina – ou, se não, que preferem confrontá-la do que obedecê-la.

Uma escumalha humana capitaneada por um certo “Monark”, influenciador que diante da mesma Tábata defendeu a descriminalização do nazismo no Brasil, correu para acudir Bruno Lambert e alegar que o “coitadinho” está sendo vítima de censura.

É claro, também, que a qualquer pessoa assiste o já mencionado direito a dizer o que bem entender.

E é claro também que estão, todos os cidadãos, submetidos às mesmas regras a que toda a sociedade brasileira está submetida.


Lambert lambuzou-se em texto e fala mas, por ter sido apenas demitido, até que saiu no lucro.

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