O golpe da CNN contra a Globo e os grandes do jornalismo brasileiro (ou “O dia em que a nanica CNN pôs a gigantesca Globo a serviço do bolsofascismo”)

O golpe da CNN contra a Globo e os grandes do jornalismo brasileiro (ou “O dia em que a nanica CNN pôs a gigantesca Globo a serviço do bolsofascismo”)

Artigo do jornalista Roberto Maciel:

A emissora de TV CNN Brasil é um apêndice da Rede Record, empresa sob o controle do dono da Igreja Universal do Reino de Deus, o “bispo” Edir Macedo. Isso nunca foi segredo, embora não haja precisão sobre quem é de fato o proprietário da CNN. Com programação jornalística, o canal franqueado pela megaempresa norte-americana emprega entre os que a fazem profissionais francamente bolsonaristas – o noticiário amplamente favorável a essa ala demonstra com clareza as simpatias. A CNN é o que se pode considerar nanica, apesar dos elevados investimentos que exigiu para ser criada e que exige para se manter.

A Rede Globo não. Empresa quase sexagenária, é a cabeça de uma corporação que envolve jornais, rádios, portais de notícias e muitos outros negócios rentáveis. A Globo sempre se postou aliada dos mais conservadores e retrógrados segmentos da política e da economia nacionais. Enxergava alguma manifestação progressista ou popular? Eram favas contadas: a Globo era contra e movia céus e terra para desacreditar o que a incomodava. Pluralidade era para novela, mas jornalismo é outra coisa. Ponto final.

No entanto, a Rede Globo passou os últimos quatro anos oferecendo ao público um alentado cardápio de oposição ao direitismo hidrófobo espalhado pelo governo de Jair Bolsonaro. Sofreu, por isso, ataques raivosos do então presidente da República – que insinuou em repetidas ocasiões que poderia não renovar a concessão da rede, o que, sem coragem, não fez.

Pois a Globo, gigantesca e experiente, caiu num golpe aplicado pela pequenina CNN. Ao conhecer imagens que a CNN estava veiculando, o grande conglomerado tropeçou instantaneamente na tentação de, sem conferir veracidade ou eventuais manipulações, logo espalhar o mesmo material – isso, claro, teve efeito cascata sobre todos os outros veículos do País.

(Abro aqui parênteses para observar que a Globo, mais do que ninguém, tem know-how para identificar armações feitas em edições – haja visto o episódio do debate entre Lula e Collor, em 1989, no qual distorceram-se os fatos e as falas o quanto foi possível, oferecendo aos espectadores em pleno Jornal Nacional o mais criminoso produto que o mau jornalismo já produziu no Brasil.)

Sim, a tacanha CNN enganou a enorme Globo – e esse era um movimento fundamental para que se tocasse adiante um plano de desgastar o governo Lula e, com os mais bizarros dos argumentos, associá-lo aos atos terroristas que bolsonaristas e outros fascistas cometeram no 8 de janeiro.

A CNN usou a Globo. Fez da líder um fantoche, um mamulengo. Eis o fato.

Quando a Globo vai reagir?