Mapeamento avalia diversidade no ecossistema de startups global

O Grupo Dínamo, especializado em políticas públicas para startups e ponte entre a sociedade civil organizada (startups, associações, empresas, etc) e o governo, acaba de publicar um mapeamento inédito sobre diversidade no ecossistema de startups global. Além do Brasil, foram mapeados Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Grécia, Noruega e Suécia. O objetivo é propor alternativas para fomentar iniciativas públicas de inclusão de gênero e raça em nosso país.

A população brasileira é formada por 51,2% de mulheres e 55,8% de pessoas negras (dados do IBGE), proporção esta que não se reflete na liderança das startups: 5,8% das startups são lideradas por pessoas negras e 4,7% das startups são lideradas por mulheres. Nos países internacionais mapeados, todos possuem “Programa de apoio para pessoas negras empreendedoras” de incentivo financeiro, capacitação, desenvolvimento e networking. Já no Brasil, apesar de sermos um país miscigenado, só possuímos algum incentivo ao crédito – sem desenvolvimento, capacitação e networking com o ecossistema de inovação.

Por outro lado, algumas regiões se destacam pelas várias iniciativas inclusivas, como São Paulo. Tanto o estado como a cidade registram um bom número de movimentações neste sentido. Exemplo disso é o Programa “Empreenda Mulher”, desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de SP, que tem por objetivo incentivar a autonomia das mulheres, possibilitando acesso a crédito e oferta de cursos de qualificação empreendedora, tecnológica, entre outras áreas.

O Dínamo se propõe a articular esta discussão. Com este levantamento, a empresa convida representantes de governos, empresários, investidores, instituições de ensino, ONGs, sociedade civil para a construção conjunta de ações efetivas que permitam mais diversidade e inclusão no cenário brasileiro de startups. E que este mapeamento possa servir de inspiração para a proposição de políticas públicas para um futuro mais justo.

É necessário colocar em prática diálogos que provoquem transformação com aqueles que se propõem a ser agentes de transformação. O Dínamo considera como pontos essenciais:

1. A necessidade de dados.

 Que cada entidade conduza a mensuração de dados sobre o impacto de suas iniciativas e políticas no contexto da diversidade e inovação. Apenas com a apuração de resultados – quantitativos e qualitativos – de cada ação será possível avaliar sua efetividade para mantê-la, ajustá-la, extingui-la ou mesmo ampliar sua aplicação. E que por fim, estes dados sejam tornados acessíveis e visíveis para que os cidadãos e os grupos diretamente envolvidos com o tema possam estudá-los, analisá-los e atuar para o aperfeiçoamento contínuo das ações.

2. Não é preciso começar do zero 

Na maioria dos países e no Brasil já existem e funcionam várias políticas públicas para o fomento da inovação e empreendedorismo cujo público-alvo não é específico. Isso porque, em sua origem, estas iniciativas não foram pensadas com a preocupação de estimular a diversidade e a inclusão de grupos minorizados. Contudo, as políticas existentes nos campos de empreendedorismo, negócios, tecnologia, inovação e talentos podem e devem acrescentar aos seu escopo um estímulo intencional, direcionado ao fomento da inclusão. 

Por exemplo, se há uma linha de crédito para pequenos empreendedores ou pequenos empreendimentos, pode-se incluir, nos critérios de seleção, uma pontuação adicional para os empreendimentos liderados por mulheres e pessoas não-brancas, ou mesmo, a prática de taxas de juros mais baixas para estes grupos.

3. Pensar global, agir local 

Ainda que a questão da Diversidade seja uma preocupação de diversos países, culturas e organizações em todo o globo, a presença marcante destas iniciativas pode nos dizer sobre uma maior facilidade, ou necessidade de construir soluções para problemas de forma local. O fato de pensar em políticas públicas geograficamente delimitadas, pode ser a chave para ajudar a resolver problemas específicos de cada local, otimizar vocações e recursos existentes e ainda, conseguir gerir o impacto de forma mais próxima, com mais cuidado e assertividade. Mas, estas não se propõem a ser conclusões definitivas para a discussão sobre Diversidade e Inovação. 

O Grupo Dínamo propôs este material como um ponto de partida para uma discussão mais ampliada, que pode e deve ter a participação de diferentes agentes representativos da diversidade, a fim de se buscar caminhos em direção a maior equidade na participação de todas e todos no processo de inovação. Para acompanhar este mapeamento na íntegras, acesse https://www.dinamo.org.br/diversidade.