Existe fronteira entre a cobrança rigorosa de um colaborador e o assédio moral?

Existe fronteira entre a cobrança rigorosa de um colaborador e o assédio moral?

Enquanto muitos trabalhadores informais se viram, diariamente, para garantir o sustento da família, o número de desempregados no Brasil chega a 14,8 milhões, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e os que conseguiram manter seus trabalhos se veem com medo diário de perdê-los. 

A estafa e o estresse, consequência da crise sanitária desencadeada pela pandemia do COVID-19, traz à tona muitas doenças psicológicas, sobrecarga de trabalho e, o pior de tudo, o aumento alarmante dos casos de assédio moral nas empresas. Especialmente com a adoção do trabalho remoto por diversas empresas no país, houve um rompimento na divisão entre casa e trabalho. Desta forma, muitos colaboradores passaram a trabalhar em feriados, finais de semana, e tudo isso sem horário para a cobrança de tarefas. 

Como forma de qualificar o debate, sugerimos Deives, sócio fundador e CEO da Condurú Consultoria, e especialista em ética, diversidade e inclusão (perfil completo abaixo). Para ele, o que está acontecendo na atualidade é uma espécie de “refinamento de assédio”. 

“Os novos modelos de trabalho chegaram com novas oportunidades para o assédio moral. O mundo inteiro está imerso em um momento de dúvidas e angústias, mesmo após mais de um ano de pandemia e distanciamento social. Enquanto o estresse e excesso de tarefas deixam o trabalhador doente, o abuso de poder termina de destruir com a a autoestima da pessoa. Os empregados, na maioria das vezes, acabam se submetendo a situações de assédio por se sentirem reféns e por medo de serem demitidos. Não há mais tempo para esperar: as empresas precisam, urgentemente, combater o problema através do investimento em ações que identifiquem os assédios desde o início”, diz. 

Uma pesquisa da Harvard Business Review revela que funcionários infelizes produzem até 18% menos quando comparado aos demais. Já um estudo do iOpener Institute mostra que, quando motivados, os colaboradores são capazes de: produzir duas vezes mais, tirar 10 vezes menos licenças e aumentar em cinco vezes o tempo de permanência na mesma companhia. O especialista entende que faz parte de todos os ambientes corporativos, em especial os que trabalham com metas, a circulação de cobranças. Entretanto, é preciso que as exigências sejam feitas sem excessos verbais, ameaças, constrangimentos e exposição dos funcionários em questão. 

“Adoção de código de ética, treinamentos com o corpo diretivo da empresa e também com os colaboradores, manuais de conduta, implementação de canais de denúncia e capacitação do RH para detectar rapidamente os casos e solucionar os conflitos são apenas algumas ações que ajudam no combate ao assédio moral. Após a constatação do assédio, é necessário que a empresa realize o acompanhamento e capacitação de profissionais capazes de auxiliar na solução do problema”, finaliza Deives.