Intraempreendedorismo empodera colaboradores e lidera inovação nas empresas, dizem especialistas

Todos os dias, empresas de vários setores buscam novas ideias para implantarem em seus negócios, tentando acompanhar a constante demanda por evolução imposta pelo mercado. O que muitas dessas companhias não percebem, é que as melhores ideias podem vir de seus próprios funcionários. Nesse contexto, entra o intraempreendedorismo, modalidade que incentiva os colaboradores a atuarem como líderes, solucionando problemas e inovando de forma sistemática. Muitas vezes, apostar nesse modelo pode trazer às grandes organizações soluções inovadoras às suas demandas, ganho de produtividade e redução de custos. 

De acordo com Maria Mendonça, Diretora de Cultura e Times da Troposlab, a inovação via intraempreendedorismo permite às empresas controlarem riscos e recursos. “A inovação só acontece quando a organização aceita e calcula o risco da mudança, além de estar aberta a modificações. Os programas de intraempreendedorismo buscam criar um ambiente favorável para que esta ruptura com a rotina aconteça. É preciso mudar o comportamento para ter resultados novos”, afirma. 

Programas de intraempreendedorismo tem como objetivo gerar resultados via desenvolvimento de projetos, ideias e negócios, enquanto também geram as mudanças de culturas mais profundas. Vivenciar a inovação sendo implementada desenvolve o repertório comportamental e práticas culturais. Porém, para que o método tenha realmente um impacto na cultura, fazendo com que essas habilidades sejam incorporadas pelo grupo, ele não pode ser tratado como um simples processo de implementação de novas ideias. “Não se trata apenas de criar espaço para o intraempreendedorismo. Conceber esse espaço é fundamental, mas insuficiente se a empresa estiver com pressa em promover essa mudança de mindset”, explica a executiva.

Segundo Renata Hora, Diretora de Conhecimento e Inovação da Troposlab, a inovação e o intraempreendedorismo constroem resultados mais duradouros dentro de uma companhia, pois atuam sobre a sua cultura organizacional, já que os empreendedores que participam de tais projetos mudam a maneira de trabalhar permanentemente. “O sucesso desses programas depende de múltiplos fatores, como o apoio das diretorias e as metodologias empregadas, porém, é o empenho do time que faz toda a diferença, transformando, aprendendo com os erros e reinventando a cultura de uma empresa. O intraempreendedorismo surge como uma oportunidade para gerar inovação contornando um mercado competitivo sem gastar muito. Tanto a corporação quanto seus colaboradores são beneficiados, pois o timing perfeito para a evolução de uma marca já está dentro dela”, afirma. 

Elementos do Intraempreendedorismo que promovem a cultura

Um programa de intraempreendedorismo que apoia a incorporação à cultura das habilidades necessárias para construir novas práticas de sucesso, precisa levar em consideração duas dimensões em completa sintonia: o resultado e a formação do time.

Gerar resultado com os projetos implementados é um artefato importante para construir a percepção de uma prática que funciona e, por isso, deve ser incorporada pelo grupo. Mas sem uma descrição eficiente dos motivos para a sua realização, o processo pode demorar a acontecer ou ficar delegado ao acaso.

Para os especialistas, um programa de intraempreendedorismo efetivo na promoção da cultura considera:

  • A comunicação do programa antes, durante e depois como um instrumento de intervenção na cultura e disseminação de novas práticas – apoiando a descrição das contingências e de modelos comportamentais;
  • Os times são selecionados com a mesma atenção dos projetos, já que precisam ser times que vão desempenhar em um tempo fixado e se tornarão modelos comportamentais diretamente ou indiretamente;
  • O desenvolvimento dos negócios e dos times acontece em sincronia, ambos com processos sistematizados de desenvolvimento – criando um ambiente favorável para quem está “saindo da zona de conforto”;
  • Os líderes dos times fazem parte do processo, estão incluídos e são desenvolvidos e acompanhados – são treinados a acompanhar seus times em novos moldes;
  • Os projetos selecionados são de relevância para a companhia, que fornece recursos para seu desenvolvimento (tempo, orçamento mesmo que limitado, apoio, etc);
  • As pessoas que se dedicam se sentem desenvolvidas e reconhecidas ao final;
  • A empresa se prepara para receber esses “empreendedores formados” dando a ele espaço para mudar seu ambiente de trabalho, processos e autonomia;

“Realizar um programa efetivo de intraempreendedorismo é planejar contingências para que novos comportamentos surjam e ganhem amplitude, gerem impacto positivo na corporação, se disseminem, tornando-se novas práticas culturais. Tudo isso de forma planejada e sistemática, mas nem sempre controlada”, finaliza Renata Horta.

Com a metodologia da Troposlab, Nestlé, Mercedes-Benz, VLI, Saint-Gobain, entre outras, são algumas das empresas que já estão olhando cuidadosamente para a inovação por meio do intraempreendedorismo.