Clássico da literatura de língua portuguesa, “O Ateneu”, de Raul Pompeia, tem nova edição

O século XIX foi marcado pela falsa estruturação do sistema educacional brasileiro, principalmente dos colégios internos frequentados pelos filhos da elite. Os internatos, onde a educação era impregnada de modelos severos e regimes autoritários, eram vistos como objetivo final da escola. E é neste contexto que se passa o enredo de O Ateneu, obra-prima de Raul Pompeia.

Publicado inicialmente em folhetins, no ano de 1888, esse clássico da literatura brasileira ganha uma edição moderna pelo selo Via Leitura (Editora Edipro). O romance remonta à trajetória de Sérgio, então com 11 anos, por um importante internato no Rio de Janeiro, o Ateneu. Uma experiência de dois anos frente a uma rígida disciplina, que marca o fim da infância e o início da maturidade.

A história é contada pelo próprio protagonista, já adulto, portanto escrita em primeira pessoa. Por meio da narrativa, Raul Pompeia critica diversos aspectos da sociedade, o moralismo e a perversão das instituições de ensino da época. Assim, dá vazão ao que ele próprio viveu, pois também foi interno em um colégio no Rio de Janeiro.

Alimentado pelo caráter autobiográfico e de crítica social, O Ateneu marca o início da literatura moderna brasileira. É considerada uma das obras mais importantes do movimento realista, principalmente pela presença de um narrador que expressa suas emoções, até então guardadas, por meio de uma descrição memorialista.

A educação não faz almas: exercita-as. E o exercício moral não vem das belas palavras de virtude,
mas do atrito com as circunstâncias.”
 (O Ateneu, p. 148)

A linguagem densa, rebuscada, é repleta de figuras de linguagem, que ganham notas explicativas para melhor compreensão. A nova edição foi produzida com base na segunda publicação, de 1905, considerada a versão definitiva da principal obra de Raul Pompeia, que publicou seu primeiro livro aos 17 anos e faleceu aos 32.