Mulheres são maioria na adesão de bancos digitais no Brasil

À medida em que a demanda global por serviços financeiros digitais e inovadores acelera, os bancos digitais continuam a ganhar força com milhões de clientes em todo o mundo. Diante desse cenário, a N26 lançou o “2021 Global Digital Banking Index” (Índice Global de Bancos Digitais, em tradução livre) – para explorar as mudanças de atitude dos consumidores em relação a este mercado. Um dado interessante aponta que o Brasil é o primeiro país com mais mulheres aderindo a este tipo de serviço do que homens – sendo 52% mulheres e 48% homens. 

Mas não é apenas aqui que a lacuna tem diminuído. Em países europeus como Itália (45% mulheres), Dinamarca (44% mulheres), Suécia (44% mulheres) e Espanha (42% mulheres), a tendência também é de diminuição dessa diferença. Segundo o estudo, os números apontam para o papel importante que as mulheres desempenham na adoção do modelo.

Além da maior quantidade de homens consumindo serviços bancários digitais – globalmente, de acordo com a pesquisa, são 59% contra 41% de mulheres – esses clientes também são majoritariamente jovens do sexo masculino e pessoas de alta renda. No entanto, no Brasil, além de uma maior presença feminina é observado um equilíbrio mais uniforme entre os clientes de baixa e média renda, muito provavelmente porque as fintechs são reconhecidas como acessíveis e relevantes em todos os níveis da sociedade.

O índice ainda revela que homens lideram a preferência por esses serviços por estarem propensos a se sentirem confortáveis em assumir riscos – por isso, também, eles abraçam essas iniciativas mais cedo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria dos usuários têm renda mais alta (63%), são homens (66%) com idade entre 25 e 44 anos (57%). 

Além disso, embora as instituições financeiras digitais normalmente sejam consideradas mais atraentes para as gerações mais jovens, no mercado europeu vemos que isso não é mais o caso. Na Itália, quase 1 em cada 2 pessoas que usam serviços bancários exclusivamente digitais (45%) tem 45 anos ou mais. Da mesma forma, na França, há tantos clientes com mais de 55 anos quanto clientes com idade entre 18 e 24 anos: 1 em 5 em ambos os casos. 

A maioria desses clientes também possui renda média ou alta em todos os mercados pesquisados. A Espanha é o país da União Européia com o maior nível de adoção de serviços bancários exclusivamente digitais entre sua classe média (55% dos clientes exclusivamente digitais têm renda média), seguida de perto pela Itália (53%)

Brasil no mapa dos serviços bancários exclusivamente digitais

De acordo com o levantamento, o Brasil não só possui o segundo maior número de clientes de instituições financeiras ou prestadoras de serviços bancários exclusivamente digitais, mas também é o segundo mercado que cresce mais rápido – 73% entre 2018 e 2020. Se mantiver essa taxa, em breve terá a maior parcela de clientes do tipo entre todos os países pesquisados. 

Além disso, os brasileiros também usam seus smartphones mais vezes do que a média global, o que, por sua vez, leva a uma alta taxa de adoção de serviços exclusivamente digitais em primeiro lugar. De acordo com a pesquisa, os consumidores do Brasil dizem ter vidas muito ocupadas e, muitas vezes, preferem se concentrar em alcançar um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional. 

Se os consumidores globais emergirem da pandemia mostrando tendências semelhantes às do Brasil – uso elevado de telefones celulares, preferência por interação remota e desejo por mais tempo livre – os serviços financeiros digitais estarão bem posicionados para oferecer uma solução atraente. A facilidade de uso e o acesso eficiente podem se revelar elementos diferenciais decisivos.

Uma segunda geração de fintechs: fincare

A grande potência do mercado brasileiro, a alta adesão a serviços digitais e a demanda constante por produtos novos e exclusivos abrem espaço por aqui para uma segunda geração de fintechs. A primeira geração fez um excelente trabalho de acessibilidade ao sistema bancário e melhorou a relação das pessoas com seus bancos. Entretanto, a relação das pessoas com dinheiro segue turbulenta. Não à toa, quase 70% da população tem gasto maior ou igual à renda, segundo o I-SF (Índice de Saúde Financeira), lançado pelo Banco Central e Febraban. 

Com a missão de promover saúde financeira, a N26 chega ao país para lançar a primeira fincare do Brasil, iniciando a segunda geração de fintechs. Neste sentido, a plataforma irá oferecer ferramentas aplicáveis à rotina de cuidados diários com o dinheiro, em lógica parecida com a do skincare. 

“Nos últimos anos, vimos grandes avanços na relação dos brasileiros com os bancos. O acesso digital e o relacionamento mais próximo e centrado no usuário permitiu a abertura de milhões de contas digitais. Mas mesmo assim, a relação do brasileiro com dinheiro não melhorou. Chegamos para mudar isso”, diz Eduardo Prota, CEO da N26 Brasil.