Criar uma cultura de talentos nas empresas é o maior desafio futuro para os profissionais de RH

Criar uma cultura de talentos nas empresas é o maior desafio futuro para os profissionais de RH

Artigo de Rejane Matos, administradora com especialização em Inteligência de Mercado e gerente de Marketing do Grupo Soulan e da Thomas International Brasil:

Um dos maiores desafios das empresas daqui para a frente será conseguir evoluir nas estratégias de recrutamento, integração e retenção de profissionais.

Essas atividades nunca foram fáceis. Encontrar, recrutar e integrar talentos fazem parte de um processo demorado e de alto risco – que, quando dá errado, pode impactar toda a empresa. Na atual turbulência econômica, o custo das contratações precisa começar a ser considerado com maior atenção. Ainda mais quando observamos que o mercado está, cada vez mais, voltando os olhos para a valorização e aumento da diversidade nos seus quadros corporativos.

Com o objetivo de mapear as principais dificuldades do setor de RH em criar uma eficiente cultura de talentos nas organizações, a Thomas International, líder global em ferramentas de recrutamento e análises psicométricas, realizou uma pesquisa com 904 tomadores de decisão na área de Recursos Humanos, em empresas com 250 a 5.000 funcionários localizadas no Reino Unido, EUA, Holanda, França, Bélgica, Canadá, Austrália, Malásia, Hong Kong e Nova Zelândia. O levantamento indicou que 43% dos entrevistados gerenciam o recrutamento de profissionais de forma totalmente interna, 53% usam uma mistura de recursos internos e externos e o restante terceiriza a maior parte de seu recrutamento.

Os principais dados da pesquisa apontam que os profissionais de RH estão sentindo muita pressão para recrutar profissionais de forma rápida, afinal as empresas têm pressa para preencher suas vagas. Mas essa necessidade acaba impactando o resultado final, uma vez que sabemos que contratações rápidas geralmente se tornam fracassadas.

Para mudar essa realidade, as organizações precisam transformar suas abordagens para que não sofram prejuízos de competitividade e até financeiros. Essa urgência é compreensível. As vagas abertas podem afetar a capacidade de uma empresa de atender seus clientes ao mesmo tempo em que prejudicam o bem-estar dos funcionários e a satisfação no trabalho, na medida que os membros existentes de sua equipe precisam dar conta do recado.

Dados da pesquisa da Thomas International mostram que três em cada cinco tomadores de decisão de RH tiveram experiências ruins de recrutamento em algumas ou todas as áreas do negócio nos últimos dois anos, e três em cada quatro estão enfrentando múltiplas pressões em seus processos de recrutamento.

Na pesquisa, a velocidade é apontada como uma grande preocupação dos profissionais, já que duas das principais pressões percebidas estão relacionadas ao tempo, com 81% dos pesquisados sentindo a pressão “para que os contratados atinjam a produtividade ideal mais rapidamente” e 79% relatam a pressão “para contratar mais rapidamente”.

A necessidade de agilizar contratações cria muita tensão e pode impactar futuramente o setor para o qual o profissional foi selecionado apenas com foco em preencher a vaga rapidamente. Isso pode ser confirmado a partir dos dados obtidos na pesquisa, apontando que 74% dos profissionais de RH se sentem pressionados a “comprometer a qualidade do candidato para preencher as funções mais rapidamente” – mesmo que 76% admitam que “contratar muito rapidamente aumenta as chances de um fit inadequado”. Nessa corrida para preencher os gaps, as empresas estão se preparando para o fracasso.

Vagas precisam ser preenchidas, mas apressar a decisão pode ter sérios impactos. Quando os entrevistados foram perguntados sobre quais são as maiores implicações de contratar rápido demais, “acaba custando mais porque a contratação não dá certo” foi a principal resposta (38%) nos dados gerais da pesquisa, sendo que, no Canadá, essa resposta foi dada por 61% dos entrevistados.

O desperdício de dinheiro sempre foi uma consideração importante a ser levada em conta nos processos seletivos, mas o perigo de ter custos aumentados quando o processo não surte o efeito esperado pelas empresas é ainda maior em um cenário econômico instável como o que estamos vivendo.

A pesquisa mostra ainda que, das contratações feitas nos últimos dois anos, apenas 40% estão “funcionando em todas as áreas”. Um terço (32%) vem “funcionando em algumas áreas, mas não em todas” e outras 28% “não deram certo”. Ou seja, seis em cada dez contratações não estão caminhando bem, pelo menos em algum aspecto.

No mercado futuro, diante de tantas incertezas, a retenção dos profissionais que já estão na empresa deve ser uma grande preocupação para os profissionais de RH. Por isso é importante, a partir de agora, focar em processos de recrutamento que possam garantir a eficiência e assertividade na escolha ou promoção de talentos, pois só isso é capaz de aumentar a probabilidade de alcançar fortes taxas de retenção e efetivo sucesso nas estratégias empresariais.

Portanto, embora o tempo esteja passando rápido, correr para uma contratação ruim não é o caminho certo. Em vez disso, as empresas precisam pensar em como contratar de forma assertiva e que possam indicar os melhores perfis de profissionais e que sejam capazes de realizar suas atividades com foco, produtividade e enfrentar os desafios de um mercado de trabalho cada vez mais volátil.