Folha quer que Alexandre de Moraes deixe inquérito e repete discurso juridicamente inútil e politicamente simpático a Bolsonaro e golpistas

Folha quer que Alexandre de Moraes deixe inquérito e repete discurso juridicamente inútil e politicamente simpático a Bolsonaro e golpistas

Do site Revista Fórum:

Por meio de um editorial publicado neste sábado (10), a Folha de S. Paulo se posicionou acerca da operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal, para investigar a tentativa de golpe de estado que o alto escalão do governo Bolsonaro planejava no caso da vitória de Lula na urnas. O que aconteceu acontecendo em outubro de 2022.

No texto, o veículo acredita que Alexandre de Moraes precisa sair do inquérito por ser uma parte do plano – já que há indícios que Bolsonaro tinha conhecimento de uma minuta em que após o golpes, autoridades deveriam ser presas como Moraes e Gilmar Mendes. Outro ponto da publicação é que a Folha acredita que haja cautela na eventual prisão de Bolsonaro.

Confira alguns trechos:

(…) O presidente e seu séquito abusaram da irresponsabilidade. Se também cometeram crimes de lesa-democracia, é algo a ser decidido num quadro que precisará ser justo e regular, com amplo direito de defesa e o devido processo legal. […]

Segundo a Polícia Federal, debates sobre um decreto golpista —no molde da minuta achada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, fato revelado pela Folha— foram travados após o segundo turno pelo presidente da República, que teria ordenado supostas correções na proposta e, com ela, assediado as Forças Armadas. […]

O golpe não tinha como se consumar, dada a oposição da institucionalidade, incluindo o comando do Exército, e da sociedade a retrocessos autoritários, o que não exclui a hipótese de indivíduos inconformados com a derrota nas urnas terem urdido uma virada de mesa.

Para fins da aplicação da lei de defesa da democracia, sancionada por Bolsonaro em setembro de 2021, não é preciso desfechar o putsch; basta a tentativa de fazê-lo para o cometimento dos crimes de golpe de Estado e de abolição do Estado de Direito.

Seria precipitado e impróprio, nesta fase dos desdobramentos, concluir que o ex-presidente e os outros investigados incidiram nesses delitos. Os trabalhos policiais estão inconclusos, e o crivo incipiente da Procuradoria-Geral nem sequer produziu denúncia formal.

Seria, isso sim, o momento recomendável para dar cabo das heterodoxias nas apurações. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, além de condutor anômalo do inquérito e alvo frequente de ataques bolsonaristas, agora figura como uma das vítimas da suposta tentativa de golpe —sua prisão teria sido tramada.

O melhor é que a PGR assuma o papel de parte acusadora, e os 11 ministros do STF se recolham para a posição de julgadores imparciais de uma provável ação penal, ouvindo com equidistância os argumentos de acusação e defesa.