Crônica de Tuty Osório: “Maravilhoso fantástico”

Texto da jornalista Tuty Osório:

A festa era evento, lançamento de revista, gente arrumada, maquiada, música ao vivo, fotos com painel ao fundo, tipo o da Caras.

O Papa Francisco tinha acabado de assumir e citei a sacada do publicitário Nizan Guanaes no meu breve discurso de apresentação. Francisco comunicava-se com o mundo, dava seu recado já na escolha de seu nome. Tem ampliado essa intenção e ação. E colocado uma máscara de oxigênio em muitos rostos.

Depois das falas, junto com boa bebida e comida, surgiu um mágico. Postei-me diante dele sem idade, pulando, rindo, sentindo frio na barriga a cada surpresa. Adoro mágicos. Quando crianças, tiveram participação especial em aniversários das minhas filhas. Acho que já assisti a quase todos os filmes sobre o tema. Verdadeiros ou impostores, são sempre leais ao que despertam no nosso olhar.

Um dos livros que sonho escrever é um manual de mágica. Como não curto manuais seria um conjunto de intenções, dicas, metas. Tão útil como latim ou receita de blinis. Agasalhos dos sentidos. Ambos estão na minha lista de novos conhecimentos a adquirir.

Para quem não sabe, blini é uma panqueca tradicional da Rússia, feita com massa fermentada, fofinha e que se pode perfeitamente morrer sem nunca ter comido. O latim, dizem que já morreu. Discordo. Até porque o conceito de morte é confuso, difuso, complexo.

E a prosa vai perdida e louca, bem ao gosto do carnaval. Essa romaria brasileira, repleta de súditos, gente de fé na alegria, nas cores. Devotos do brilho, da melodia tão frenética quanto romântica.

Somos um país de realismo mágico até nas esquinas de pedra, debaixo dos viadutos grafitados, nas casas das famílias de todos os naipes.

Bolo amanteigado e pão de coco pagam ritual em qualquer semana. Cotidiano, só depois. Quando se retirarão as máscaras para dar lugar aos cortejos de narrativas.

Cães e velhos veem mais coisas. Fico sempre atenta aos meus.

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Tuty Osório é jornalista, especialista em pesquisa qualitativa e escritora.

São de sua lavra QUANDO FEVEREIRO CHEGOU (contos de 2022); SÔNIA VALÉRIA, A CABULOSA (quadrinhos com desenhos de Manu Coelho de 2023) e MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DE MARIA AGUDA, dez crônicas, um conto e um ponto (crônicas e contos, também de 2023).

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