Economista aponta crescimento do PIB em 0,3% no último tri e de 3,1% para 2023

O professor e mestre em Economia Política, André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, plataforma digital brasileira de transferências internacionais, traz análises sobre os principais fatores na economia global:

● A evolução positiva dos indicadores de atividade de dezembro, em especial o da produção industrial, deve influenciar positivamente o IBC Br. O índice de atividade econômica do Banco Central deve apresentar a segunda expansão mensal consecutiva depois de uma série de três recuos em sequência nos meses de agosto, setembro e outubro. Além disso, considerando os dados do setor de serviços divulgados no dia 9/2, mantemos nossa projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), em 0,3% no último trimestre e de 3,1% para o ano de 2023 – os dados oficiais estão para ser divulgados pelo Bacen.

● Apesar da deterioração dos indicadores qualitativos observada no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro, espera-se que o IGP-10 (Índice Geral de Preços) siga a tendência do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) e do IGP-DI (Índice Geral de Preços/Disponibilidade Interna), indicando uma desaceleração nos preços domésticos em fevereiro. Essa disparidade entre o índice oficial de preços do Brasil e os IGPs é resultado do movimento deflacionário registrado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), um dos componentes do IGP-10. Essas deflações foram influenciadas pela diminuição relativa dos riscos associados ao fenômeno natural El Niño. Embora reconheçamos a persistência de riscos potenciais, eles parecem ser menores agora em fevereiro do que em dezembro. Esse cenário tem exercido pressão para baixo sobre os preços de commodities importantes, como soja e açúcar, cujos pesos no IPA são significativamente altos.

● A inflação americana deve desacelerar na margem em janeiro. Após o IPC (Índice de Preço ao Consumidor) dos EUA encerrar dezembro com um crescimento acima do esperado, de 0,3%, as projeções dos mercados sugerem um leve arrefecimento para a próxima leitura, com o indicador variando 0,2%. Caso se confirme, pode-se dizer que tal desdobramento não deve alterar as perspectivas de juros do Fed (Federal Reserve), com a maioria dos agentes projetando que o primeiro corte deve ocorrer apenas no segundo quadrimestre, em virtude dos números do Payroll (relatório sobre o mercado de trabalho nos EUA) de janeiro.

● A produção industrial e o varejo americano devem manter ritmo moderado em janeiro. A economia dos EUA segue mais aquecida do que o desejado pelo Fed, como pode ser observado principalmente nos dados do mercado de trabalho. Embora alguns setores da atividade econômica, a exemplo da indústria, tenham demonstrado certa desaceleração nos últimos meses, eles permanecem acima do adequado para as metas de inflação. Nesse sentido, a expectativa é de que a produção industrial e o comércio varejista avancem 0,3% e 0,1%, respectivamente. Com a primeira leitura do PIB americano no 4º trimestre sugerindo um crescimento de 3,3%, as perspectivas seguem desfavoráveis para o início de um ciclo de cortes dos juros americanos no 1º trimestre.

● Os mercados esperam pela manutenção da estabilidade do PIB europeu no fim de 2023. De forma surpreendente, a primeira leitura preliminar da economia da Zona do Euro indicou que o bloco pode ter escapado da recessão no 4º trimestre de 2023. Embora exista certo ceticismo, o consenso é de que tal desdobramento seja mantido na segunda leitura prévia. A despeito dos resultados, contudo, o nível de atividade deve seguir em desaceleração, como sugerem as expectativas da produção industrial de dezembro, que é projetada para recuar 0,3% e outros indicadores antecedentes relativos ao mês de janeiro que já foram conhecidos.

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