A Coluna do Roberto Maciel (terça, 14.5): O brasileiro nunca foi tão solidário e nunca foi tão mentiroso

A Coluna do Roberto Maciel (terça, 14.5): O brasileiro nunca foi tão solidário e nunca foi tão mentiroso

  • Escreveu o inigualável Nélson Rodrigues na peça “Bonitinha mas Ordinária” (ou “Otto Lara Resende”): “O brasileiro só é solidário no câncer”. O teatrólogo e jornalista, considerado “maldito” e vítima da brutal censura da sanguinária ditadura militar (a qual chegou a apoiar), sentenciava ali o caráter nacional de só expor empatia ou algo que o valha na reta final das tragédias. Era uma crítica, sim, mas, mais do que isso, o reconhecimento de um traço negativo da personalidade nacional. Com a tragédia no Rio Grande do Sul, Nélson poderia reforçar a tese e até acrescentar um dado: “o brasileiro nunca foi tão mentiroso”. A enxurrada criminosa de fake news que ameaça desmanchar a solidariedade (ainda que tardia) é prova da abolição da verdade como regra de conduta. Fenômeno do bolsonarismo, a notícia falsa é, sim, criada a divulgada por brasileiros – que nunca foram tão mentirosos e tão coletivamente irresponsáveis. Essas mentiras, disparadas por gente como Eduardo Bolsonaro, “Cleitinho”, Gustavo Gayer e Júlia Zanatta, a rede de TV SBT e outros de características morais tão rasteiras quanto, não são apenas histórias fantasiosas. São prova de interesse em ser cúmplice de mortes.

Jogo sujo
Parte da bancada bolsonarista na Câmara federal – incluindo o cearense André Fernandes (PL), virtual candidato a prefeito de Fortaleza – apresentou projeto calcado em fake news. São 25 os parlamentares que assinam proposta de afrouxamento da fiscalização de transportes. Uma mentira é usada como argumento político.

Nome aos bois
Escreveu o humorista e ator Antônio Tabet, do grupo Porta dos Fundos: “A gente vê que o Brasil chegou no fundo do poço moral quando a população é vítima de fake news propagadas pelos ‘influenciadores’ Pablo Marçal e Nego Di. Que derrota! Como diria o Jô Soares, ‘já fui roubado por gente melhor'”.

Amigo é pra acudir outro
Com a ordem judicial para que a Polícia arrombe a porta do imóvel de Ciro Gomes caso ele não pague dívida com a editora Abril, o PSDB se manifestou. Escreveram no site do ex-partido de Ciro: “A decisão (…) é absolutamente arbitrária e contrária aos princípios democráticos”.

“Perseguição”
O partido de Aécio Neves completa: “É triste ver no nosso país corruptos soltos, enquanto temos uma pessoa digna, completamente devotada em mudar o Ceará e o Brasil para melhor, sofrendo esse tipo de perseguição”.

A lei não é para todos?
Se a querida leitora e o querido leitor não lembram o que é o PSDB, a gente dá pista: é um partido que, quando Lula era vítima de Moro e parceiros, dizia que “a lei é para todos”. Agora, como se percebe, não é mais.

Não quer calar
A pergunta final é essa: o PSDB não vai divulgar nota em defesa do “Cabo Sabino”? O ex-deputado foi condenado a nove anos de xilindró por comandar motim na PM e os tucanos não falam nada? Que coisa!

Momento oportuno
A Assembleia Legislativa faz hoje, às 17h, sessão para homenagear o Sindicato dos Eletricitários do Ceará, que está celebrando 88 anos. O requerimento foi feito pela deputada Larissa Gaspar (PT). A atividade será realizada bem na reta final da CPI da Enel.

Jogo duro e necessário
Estão na pauta desta semana da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que se reúne amanhã, duas propostas que endurecem penas para crimes praticados em situações de epidemia ou de calamidade, como as enchentes que afetam o Rio Grande do Sul. Há medidas que, se estivessem em vigor na pandemia da covid-19, levariam Bolsonaro e outros para trás das grades. Sem escalas. Só há um senador cearense na CAS. É Luís Eduardo Girão (Novo).