Por Roberto Maciel, jornalista:
O dia está meio amalucado. Tontos estão analistas, prognosticistas e outros que se atrevem a tentar entender e a tentar explicar a política – o que dá na mesma ou em nada.
O Senado aprovou ontem o que soa como salvo-conduto para que aventureiros de quaisquer laia se arvorem de lançar mão do que há mais precioso para os brasileiros: a Democracia e a capacidade de se manifestar, de escolher o que melhor avalia para si.
Os senadores aprovaram um arremedo de lei que pode representar o perdão e a soltura, com penas minguadas, de criminosos confessos que há quase três anos estupraram os direitos dos cidadãos. Jair Bolsonaro e outros celerados ficam, assim, beneficiados pelos parlamentares – que se submeteram a um texto apresentado por um notório e contumaz mistificador, o ex-juiz Sérgio Moro.
Até o filho do capitão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, conhecido como “Vagão” nas entocas da Barra da Tijuca (RJ), que fugiu para os Estados Unidos para conspirar contra o Brasil, terá o direito de reivindicar perdão pela traição à pátria. Em tempo, “Vagão” é uma forma apocopada que se deu na marginalidade carioca para a palavra “vagabundo”.
Diz-se que o PT, partido que seria golpeado com mais violência e crueldade pela intentona fascista de 8 de janeiro de 2023 e que será no próximo golpe da direita extrema, deixou que isso acontecesse. Lembram-se de que o plano “Punhal Verde-Amarelo” visava ao assassinato do presidente Lula? Pois é: o PT teria agora negociado para obter mais dinheiro para o governo Lula, apertando a tributação sobre a jogatina das bets e afrouxando a mão que pesava sobre os bolsonaristas. Esquecendo o punhal, claro.
Se foi isso mesmo, que espere por 2026. Ou que se arrisque a apostar no que virá.
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A propósito do que teria sido a negociação de ontem à noite, vale replicar aqui uma expressão muito usada pelos que exploram apostas virtuais: “Divirta-se com segurança”. Isso cairia bem se tivesse sido dito, sem pudor na cara, para Jair Bolsonaro e cúmplices.

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