Por Roberto Maciel, jornalista:
A prisão do ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal, cúmplice de Jair Bolsonaro, me conduziu a uma série de reflexões. Como se sabe, Silvinei Vasques (nas fotos) foi capturado dia 26 no aeroporto de Assunção, Paraguai, tentando embarcar num voo para El Salvador. No último dia 16, ele e outros foram condenados pelo envolvimento no golpe de estado com o qual pretendiam assassinar a Democracia no Brasil.
Como é eticamente pertinente, devo informar aos leitores que não tive acesso a nenhum documento oficial sobre a prisão do mau elemento, como se dizia antigamente nos prontuários policiais, daí esclareço que o que escrevo daqui para adiante resulta apenas de reflexões pessoais – algo como “as vozes da minha cabeça”.
Antes, porém, lembro que Silvinei é figura importante no contexto do bolsonarismo, tendo sido ele o executor (e, possivelmente o idealizador) de bloqueios da PRF em estradas do Nordeste, no dia da eleição em 2022, para impedir que votantes comparecessem às seções para votar em Lula.
Vamos, então, a pontos que julgo plausíveis:
1. Silvinei Vasques sabe demais;
2. Com base no que sabe, acionou a família Bolsonaro para protegê-lo;
3. Como era então presumível, Silvinei foi condenado pelo STF; pegou, no dia 16 deste mês, 24 anos e seis meses de cadeia;
4. O senador Flávio Bolsonaro e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro viajaram para El Salvador no dia logo depois da condenação de Silvinei Vasques; chegaram em San Salvador, a capital, no dia 17 e no dia 18 se reuniram com o ministro da Segurança de El Salvador, Gustavo Villatoro;
5. Flávio viajou de Brasília e Eduardo saiu do Texas (EUA). Não havia nenhuma missão ou pauta que exigissem a presença deles em El Salvador – a propósito, a agenda recente de Flávio Bolsonaro tem sido tomada por compromissos eleitorais e a de Eduardo estava ocupada com tentativas de salvar o mandato, naquele momento sob o risco de ser cassado por excesso de faltas, o que de fato ocorreu;
6. Flávio e Eduardo tentaram ainda reunião com o presidente, Nayib Bukele, um ultra-direitista submisso a Donald Trump. Não se sabe se conseguiram;
7. Para fugir de Santa Catarina (onde morava) para o Paraguai, Silvinei Vasques contou com um lapso de tempo que inviabilizou à Polícia Federal que instalasse barreiras e o interceptasse – essa situação, que muitos consideram suspeita e até chamam de proposital, teria sido favorecida pela gestão da Segurança catarinense;
8. Por saber demais, Silvinei está agora recolhido a um presídio especial em Brasília, a chamada “Papudinha”;
9. O ex-PRF divide cela com um ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, também condenado pelo golpe de 8 de janeiro. Trata-se de medida de segurança;
10. Anteriormente aliado e sicário dos bolsonaros, Silvinei Vasques se tornou um arquivo ambulante, uma bomba de contagem regressiva. Se falar o que sabe, pode explodir projetos atuais e planos futuros da família Bolsonaro e da extrema-direita;
Do jeito que joias que Jair Bolsonaro tentava surrupiar do acervo da União foram apreendidas no aeroporto de São Paulo, Silvinei Vasques seria um precioso adorno do extremismo de direita, delinquente e deletério, que pode ajudar a salvar a ainda ameaçada Democracia do Brasil. Também é uma joia devidamente apreendida.
Feliz Ano Novo, autoridades federais! Cuidem bem do Silvinei – a cabeça dele deve estar agora a prêmio.

Fique por dentro do mundo financeiro das notícias que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.