Renúncia de governadora do PT pode levar direita a governar o Rio Grande do Norte

Fátima Bezerra, governadora petista do Rio Grande do Norte, já declarou que pretende renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. A decisão integra a estratégia do PT nacional, que considera prioritária a candidatura da governadora ao Senado em 2026. A saída está prevista para abril, conforme o calendário eleitoral.
Pela linha sucessória, o vice-governador Walter Alves (MDB) deveria assumir o Executivo estadual. No entanto, ele comunicou à direção nacional do partido que também pretende renunciar ao cargo e não assumirá o governo. A decisão está ligada ao plano de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Em dezembro do ano passado, Walter já havia sinalizado publicamente essa possibilidade.
Nova eleição indireta
Com a renúncia simultânea da governadora e do vice no último ano do mandato, a Constituição estadual, aliada ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta para a necessidade de uma nova eleição para definir quem comandará o estado até o fim do mandato, em janeiro de 2027. A tendência, nesse cenário, é que a escolha seja feita de forma indireta, pelos 24 deputados estaduais, e não por voto popular.
E é justamente aí que entra o problema. O campo político da governadora é minoria na Assembleia. O PCdoB, PSB, PDT e PT, partido de Fátima, contam com apenas um deputado cada, enquanto apenas o PSDB tem nove deputados (veja a lista abaixo).

Composição partidária do RN na Câmara federal:

  • PSDB: 9 Deputados (Liderança)
  • MDB: 3 Deputados
  • Republicanos: 2 Deputados
  • PSD: 2 Deputados
  • Avante: 1 Deputado
  • PDT: 1 Deputado
  • PCdoB: 1 Deputado
  • União Brasil: 1 Deputado
  • Cidadania: 1 Deputado
  • PV: 1 Deputado
  • PT: 1 Deputado
  • PSB: 1 Deputado
  • Podemos: 1 Deputado
  • Solidariedade: 1 Deputado
  • Progressistas (PP): 1 Deputado
Sucessão provisória
Até que a eleição indireta seja realizada, a sucessão provisória seguirá a linha legal. O primeiro nome na hierarquia é o do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), que poderia assumir interinamente o governo. Caso ele decline do posto — o que é considerado possível, já que também tem pretensões eleitorais — a função passaria ao presidente do Tribunal de Justiça do RN, desembargador Ibanez Monteiro.
A possibilidade de uma eleição indireta dominada pela Assembleia Legislativa preocupa aliados de Fátima Bezerra. Nos bastidores, há o temor de que, sem o controle direto do Executivo, o campo governista perca força e o comando do estado acabe nas mãos de um nome ligado à oposição ou à direita local, alterando o equilíbrio político às vésperas da eleição de 2026.
A eventual eleição indireta será decisiva não apenas para a administração do estado até 2027, mas também para o desenho político das eleições de 2026, em um contexto em que a saída de Fátima Bezerra pode, paradoxalmente, abrir espaço para que o governo do Rio Grande do Norte seja entregue à direita.

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