O Quilombo Boqueirão da Arara, no município de Caucaia (Região Metropolitana de Fortaleza), foi certificado como Ponto de Cultura pela Secretaria da Cultura do Estado. É uma conquista histórica que fortalece a preservação da memória ancestral afro-brasileira. Localizado a cerca de 37 km de Fortaleza, o quilombo ocupa área de 718,6 hectares. A certificação foi obtida por meio do Edital de Chamamento Público 09/2024, da Rede Estadual de Pontos e Pontes de Cultura do Ceará, transformando a Associação de Moradores do Quilombo Boqueirão da Arara em Ponto de Cultura. A entidade é presidida por Madalena Barbosa Prata.
O projeto enfatiza a preservação da memória coletiva, capacitação de artesãos e geração de renda por meio de oficinas e eventos culturais. As principais atividades incluem formações em design decolonial, confecção de colheres em madeira e bordado, além de mostras de artesanato, feiras de gastronomia e festivais de culinária ancestral.
Impacto na comunidade
A iniciativa beneficia prioritariamente jovens de 12 a 29 anos, reativando grupos de reisado e quadrilha junina com aquisição de indumentárias e melhorias na sede para acessibilidade. Os resultados ações propostas envolvem, principalmente, o fortalecimento da economia criativa, integração geracional e visibilidade para a cultura afro-brasileira em meio a desafios como titulação de terras e ameaças externas.
As metas do projeto incluem formação e educação cultural, com oficinas de design decolonial, confecção de colheres em madeira e bordado, distribuídas em duas turmas cada. A mostra artístico-cultural abrange feiras de gastronomia e economia criativa, festivais de culinária e medicina ancestral, além de exposições de fotografia de varal e mostras de artesanato produzido na comunidade e nos outros oito quilombos de Caucaia.
Madalena Barbosa Prata destaca a importância da certificação. Para ela o Ponto de Cultura tem uma importância fundamental, pois representa o resgate das nossas tradições que, com o passar do tempo, foram perdendo sua essência. “Por meio dele, a ancestralidade será despertada nos jovens, já que os mais velhos enfrentam dificuldades para transmitir seus saberes em razão das carências da comunidade.”
O projeto chegou em um momento oportuno, quando as pessoas mais precisavam. Agora todos estão unidos, em sintonia, fortalecendo o desenvolvimento da comunidade e revelando suas riquezas: a produção do artesanato, dos chás, das garrafadas, dos lambedores, do bordado à mão, do trançado da palha, das bonecas, chapéus, bolsas e vassouras de palha, além do trabalho em madeira. “Os artesãos moldam pratos, talheres e outros objetos que expressam nossa identidade. É essencial que mais pessoas conheçam e valorizem a nossa cultura. Por isso, o Ponto de Cultura tem um papel tão significativo”, acrescenta.
Significado histórico
Localizado a 37 km de Fortaleza, o Quilombo Boqueirão da Arara preserva práticas ancestrais de matriz africana, como artesanato e culinária típica, em luta por reconhecimento territorial. A Associação dos Remanescentes do Quilombo da Comunidade Povoado Boqueirão da Arara em Caucaia compreende uma das 11 comunidades quilombolas reconhecidas pela coordenação das Comunidades Quilombolas do Ceará (Cerquice) e 11 certificadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP).
O quilombo possui 170 anos de história e abriga 132 famílias que vivem em cerca de 718 hectares. A comunidade atua na preservação das terras e da cultura dos seus ancestrais. A certificação pioneira posiciona a comunidade como referência para os quilombos de Caucaia, impulsionando autonomia e protagonismo cultural em um estado com rica herança quilombola.
Pontos de Cultura
Pontos de Cultura representam iniciativas da Política Nacional Cultura Viva, instituída pela Lei nº 13.018/2014. A política reconhece grupos, coletivos ou entidades culturais sem fins lucrativos atuantes em comunidades. Esses pontos desenvolvem ações socioculturais continuadas, como oficinas, mostras e formações, promovendo diversidade cultural, inclusão social e articulação em rede entre poder público e sociedade civil.
Os contemplados recebem certificação do Ministério da Cultura após avaliação de projetos via editais públicos estaduais ou municipais, permitindo acesso a fomento para preservação de patrimônios imateriais e geração de renda cultural. Vale destacar que Pontos de Cultura em quilombos fortalecem a preservação de saberes ancestrais afro-brasileiros, promovendo identidade cultural e resistência histórica em comunidades tradicionalmente marginalizadas.


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