51% dos criadores de conteúdo consideram desistir enquanto mercado projeta bilhões de dólares para 2026

A chamada “Economia de Criadores” (ou “Creator Economy”, expressão em inglês) entrou num ponto crítico de inflexão. Apesar do crescimento acelerado e das projeções bilionárias para a próxima década, a base que sustenta esse mercado — os criadores de conteúdo — está sob pressão crescente. É o que revela o Creator Report 2025, estudo global realizado pela Manychat, plataforma líder em automação para canais de mensagens, que analisa o comportamento de criadores e audiência em um ecossistema marcado por excesso de estímulos, fadiga digital e perda de conexão real.

O levantamento mostra que a chamada “fase amadora” da criação de conteúdo ficou para trás. Criadores passaram a operar em um ambiente cada vez mais profissionalizado, no qual marcas exigem previsibilidade, métricas claras, compliance e conversão. No entanto, a estrutura de trabalho e as ferramentas disponíveis não acompanharam essa transformação. O resultado é um cenário de sobrecarga: 51% dos criadores entrevistados consideraram abandonar a carreira nos últimos 12 meses, principalmente por exaustão mental e pela pressão de estar sempre online. Entre a Geração Z, esse índice sobe para 55%.

O contraste entre as projeções do mercado e a realidade de quem cria conteúdo é evidente. Enquanto estimativas indicam que o setor brasileiro deve alcançar US$ 33,5 bilhões até 2034 (de acordo com a Noddle), o Creator Report 2025 aponta que quase 3 em cada 4 criadores ganham menos de US$ 10 mil por ano. Apenas 1 em cada 10 se enxerga como um negócio estruturado, enquanto a maioria ainda se percebe apenas como “alguém que posta conteúdo”. Essa falta de visão e estrutura empresarial contribui para a fragilidade financeira da chamada classe média da Creator Economy.

O “Gap” de Engajamento 

O estudo também identifica um gargalo central, definido como “Gap de Engajamento”. Criadores relatam receber volumes elevados de mensagens diretas e comentários semanalmente, mas sem tempo ou estrutura para responder de forma consistente. O engajamento existe, mas não se converte em relacionamento, confiança ou receita.

“Mais criadores e marcas estão percebendo o impacto de fazer conexões reais. As pessoas gostam de se sentir vistas e ouvidas pelas contas que seguem”, afirma Flavia Rosario, Diretora Geralda Manychat no Brasil. “A conexão continuará sendo crucial em 2026, mas o modelo atual de gestão manual é insustentável”.

Esse gap afeta também o comportamento do público. O relatório mostra que autenticidade e presença continuam sendo critérios centrais de confiança, enquanto conteúdos percebidos como artificiais, excessivamente comerciais ou distantes geram rejeição e unfollow.

O dilema da IA e autenticidade

O Creator Report 2025 aponta ainda para um dilema que deve se intensificar em 2026: o papel da inteligência artificial na criação de conteúdo. Para os criadores, competir com conteúdo gerado por IA é citado como o principal desafio do próximo ciclo. Do lado da audiência, o alerta é claro: 41% dos usuários afirmam que deixariam de apoiar um criador que se tornasse 100% automatizado por IA.

“O estudo mostra que a tecnologia pode ajudar a organizar o caos do engajamento, mas não pode substituir a relação humana”, conclui Flavia Rosario. “Para que a Creator Economy atinja seu potencial de forma sustentável, será necessário enfrentar a crise de saúde mental dos criadores e investir em estrutura, processos e ferramentas que preservem a autenticidade e o tempo de quem cria.”

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