- Nem tudo é Carnaval. O mercado financeiro, onde operava Daniel Vorcaro e onde ainda tem influência o ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, refez as estimativas da inflação para este ano. Os oráculos dos investimentos e das cifras vão passar o Carnaval remoendo a informação de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no País – escorregou para baixo. Não só eles, mas também os formuladores de modelos políticos. O IPCA de 2026 sai de 3,99%, projetados há um mês, e vai para 3,97%. E é um dado do qual não se pode isolar outro: o ano é eleitoral, em que serão confrontadas não apenas posturas ideológicas, mas estilos de se enfrentarem questões econômicas que atingem integralmente os brasileiros. Não é tarefa fácil, deve-se observar, a de organizar argumentações nesse campo. Afinal, fatores de gestão se colocam como desafios para uma e outra ala. Todas precisam expor elementos sólidos e plausíveis para explicar quadros positivos ou negativos. Não basta ser otimista nem pessimista, a depender do ângulo de que se analisam os movimentos. É preciso ser convincente.
Laculá
As projeções ultrapassam as fronteiras de 2026. Para 2027, primeiro ano da gestão que vencerá a corrida nas urnas, a estimativa da inflação se manteve em 3,8%. A tendência de queda segue preservada para os períodos seguintes: 3,5% para 2028 e 2029. É claro que isso não é um cálculo fechado: a economia do Brasil, como a de qualquer outro país, oscila conforme as balanças internacionais.
O “terrivelmente evangélico”
Também é válido perguntar para onde o bloco da justiça vai encaminhar o da política? A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do escândalo do banco Master no STF inspira o questionamento. Mas não é só isso. O sorteio de André Mendonça para substituí-lo talvez seja mais importante. O passado bolsonarista do novo relator sustenta a preocupação.
O enfoque
Pesquisa do Instituto Opinião, publicada quinta-feira pelo jornal Opinião, indica que o governador Elmano de Freitas (PT) está à frente em todas as projeções de disputa para as eleições deste ano. São cenários distintos, apontando nomes ainda não definidos mas mencionados nos partidos adversários como possíveis adversários de Elmano nas urnas em outubro.
A cena
Há, no Palácio da Abolição e entre aliados, a avaliação de que a favor de Elmano se destaquem três elementos – todos radicalmente positivos: o ritmo de entregas da gestão, que vem acelerando inaugurações e lançamentos de obras importantes e que confirma compromissos da campanha de 2022; a série de melhorias na área da segurança pública; e a relação muito próxima com o presidente Lula.
Quietos
Não se tem ainda sinalização de como a oposição vai se movimentar frente ao quadro mostrado pela pesquisa, mas é provável que não deve ser com omissão ou apatia. Mesmo assim, chamam atenção o silêncio e a reserva que os adversários estão dedicando ao assunto. André e Alcides Fernandes, Ciro Gomes e Roberto Cláudio e Luís Eduardo Girão estão recolhidos ao mais obsequioso silêncio neste comecinho de Carnaval. Alalaô!
Expressão
A secretária da Cultura do Ceará, Luísa Cela, é uma das boas novidades do cenário eleitoral deste ano. Já há 12 anos no grupo gestor da Secult (ela foi secretária-executiva na gestão de Camilo Santana), Luísa tem a pré-candidatura ratificada pelo governador Elmano de Freitas e reúne um apoio pra lá de expressivo de agentes culturais, incluindo artistas, produtores e formuladores do setor. Tem conhecimento técnico e político para colocar a Cultura no topo dos debates sociais.

Laços
Luísa tem, além do currículo profissional, referência importante a apresentar: é filha da ex-secretária de Educação e ex-governadora Izolda Cela e do ex-prefeito de Sobral Clodoveu Arruda. Como se não bastasse, é sobrinha-bisneta do genial e referencial pintor cearense Raimundo Cela.


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