Por Ana Márcia Diógenes, jornalista e escritora:
Existe um espaço coletivo que demarca bem a diferença entre gerações: as calçadas. Aliás, a ocupação delas, para ser mais precisa. A geração que morou em casa usou a calçada como extensão de sua sala. Era só colocar cadeiras, de preferência de balanço, para garantir uma boa conversa com vizinhos ou amigos.
Era fácil reconhecer os reclusos, porque eles não colocavam cadeiras nas calçadas. Os tímidos – no meio do caminho entre a reclusão e a sociabilidade – arriscavam no máximo abrir as janelas. Guardavam o corpo dentro de casa, deixavam apenas o rosto na meia-rua e apoiavam o tronco nos cotovelos. Guardadas as proporções, podemos até dizer que os de gerações mais novas adaptaram este hábito para as redes sociais. Os que gostam de interagir deixam seus perfis abertos, respondem comentários e costumam olhar o que os outros estão publicando. Os que querem apenas fazer suas divulgações, sem interagir, deixam o perfil fechado e limitam comentários.
Não vejo uma geração melhor ou pior do que a outra, nem mais nem menos disposta às conversas. Na minha percepção, são apenas as formas de conexão que a passagem de tempo disponibiliza para as pessoas. Também não julgo quem quer ou não quer interagir, seja no passado ou agora.
Respeitar as diferenças, em qualquer ocasião da história, sempre foi e será de uma grande beleza. Calçadas e redes sociais são somente espaços de fazer valer esta beleza.
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Ana Márcia Diógenes é graduada em Comunicação Social (UFC), especialista em Responsabilidade Social e em Psicologia Positiva e mestra em Planejamento e Políticas Públicas. É professora de Jornalismo (pós-graduação), escritora e consultora em comunicação e direitos para a infância e juventude.


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