No mês em que se celebra o Dia Mundial de Combate à Obesidade (4 de março), as estatísticas mais recentes revelam urgência na adoção de novos hábitos por parte da população. No Brasil, conforme dados de 2025 do Ministério da Saúde, houve um crescimento de 118% na prevalência de obesidade entre adultos de 2006 a 2024, com aumentos paralelos de 135% nos casos de diabetes e 47% no excesso de peso. Em termos globais, o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da World Obesity Federation (Federação Mundial de Obesidade, em tradução livre) prevê que até 2030 cerca de 50% da população adulta global (quase 3 bilhões de pessoas) terá sobrepeso ou obesidade, com o número de obesos avançando 115% – de 524 milhões em 2010 para 1,13 bilhão.
Esse problema de saúde pública tem impacto direto na ortopedia, pois o excesso de peso sobrecarrega as articulações, acelerando a osteoartrite (artrose) em joelhos e quadris. “Cada 1 kg adicional no peso corporal multiplica por quatro a pressão nos joelhos, elevando em até quatro vezes o risco de artrose. Além disso, a obesidade promove, entre outros males, degradação cartilaginosa e alterações posturais em coluna, membros inferiores e pés, agravando fraturas, distúrbios musculoesqueléticos e necessidade de artroplastias precoces”, alerta o ortopedista Rafael Leitão, Presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE).
Sedentarismo
A obesidade em adultos é causada por diversos fatores, quando o consumo calórico excede o gasto, impulsionado principalmente por dietas ricas em alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras saturadas. “O sedentarismo agrava esse quadro, com redução da atividade física no dia a dia, aliado ao aumento do tempo em telas e rotinas que limitam a mobilidade”, observa Rafael Leitão.
De acordo com o Presidente da SBOT-CE, fatores genéticos, comportamentos alimentares e aspectos psicológicos, como estresse crônico e distúrbios emocionais, também intensificam a ocorrência da obesidade em adultos.
Tratamento
Cada caso merece uma avaliação individual, mas o tratamento de problemas ortopédicos devido à obesidade começa com mudanças simples no dia a dia, com a perda de peso progressiva, com acompanhamento multiprofissional por endocrinologistas ou nutrólogos, nutricionistas e educadores físicos.
“Exercícios para fortalecimento muscular e exercícios aeróbicos sem impacto como natação, assim como o tratamento fisioterápico, ajudam a diminuir a sobrecarga articular e aliviar a dor. Se o problema for grave, como artrose avançada, pode ser necessária cirurgia de prótese. Mas antes, é imprescindível a avaliação por um ortopedista”, recomenda Rafael Leitão. “O segredo é mudar hábitos para sempre, com atividade física e boa alimentação”, reforça o Presidente da SBOT-CE.

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