“Vorcaro precisa morrer!”

Por Roberto Maciel, jornalista:

Antes que você se assuste com o título, saiba que não expressa desejo meu. É, sim, um exercício que fiz a respeito de possíveis sentimentos e desejos que amigos e parceiros de negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro – isso: amigos e parceiros – devem nutrir em relação a ele.

O noticiário político-policial dos últimos dias tem sido monotemático: está sendo preparada a delação premiada (ou “colaboração”, “colaboração premiada”, qualquer que seja o termo usado para atenuar o ato de entregar comparsas) de Vorcaro, mafioso envolvido com faccionados, figurões da extrema-direita, financistas, falsos religiosos, pseudo-jornalistas e profissionais do sexo. E até com malandros candidatos a malandro federal, com retrato na coluna social, com contrato, com gravata e capital – royalties para Chico Buarque em “Homenagem ao Malandro”.

O que está certo, acima de tudo, é que Daniel Vorcaro não é pilantra de terceira categoria, criador de gabinetes do mal, contrabandista de joias, gestor de rachadinhas e lojinhas de chocolates, desviador de emendas pix. Ele sabe muito e tem de dizer e provar o que sabe.

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Absorvido pelo turbilhão de comentários, análises e fake news que vem engolindo tudo e a todos, dei-me a imaginar o que está se passando pela cabeça de nomes que antigamente eram coroados pelo poder e que podem se tornar ilustres personagens da provável delação de Vorcaro. Fui às artes buscar referências.

Encontrei, por exemplo, títulos de livros como “É preciso morrer algumas vezes”, “Eleanor precisa morrer”, “Dorothy tem que morrer”, “Romeu tem que morrer”, “Você está pronto para morrer?”, “A arte de morrer”, “Eles precisam morrer”, “Uma boa hora para morrer”, “Primeiro eu precisei morrer”, “Foi preciso morrer” e “O rei deve morrer” – isso tudo numa só consulta ao Google.

Procurei nas telas e achei títulos destacáveis: “Romeu tem que morrer”, “007 sem tempo para morrer” e “007 – marcado para a morte”, “Cabra marcado para morrer”, “A morte lhe cai bem”, “Melhor morrer”, “As dez vantagens de morrer depois de você” e “Matar ou morrer”.

Paro aqui para não ficar cansativo.

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O fato é que, além da ficção que relacionei nos parágrafos acima, há um tipo de realidade que pode ser imposta ao País, à Justiça e – tanto faz antes ou depois – ao ex-banqueiro Vorcaro. É mais do que claro que devem haver muitos cúmplices interessados no fim do vigarista mineiro, preferencialmente antes de ele colocar a boca no trombone, de falar sobre uso de avião, festanças em Trancoso, viagens internacionais, presentes e doações de apartamentos.

Tê-lo em segurança, distante do alcance de matadores de aluguel como eram os milicianos Adriano da Nóbrega e Ronnie Lessa, é fundamental para instituições judiciais e policiais que se pretendem respeitadas. Vale lembrar que o ex-presidente Jair Bolsonaro mudou cúpulas da segurança antes que alguém fosse “fuder” (palavra que usou) um filho ou amigo dele.

Foi assim que o hoje presidiário colocou no esgoto a imagem da Polícia Federal, da Agência Brasileira de Inteligência e do Ministério da Justiça, tornando-as molambos entre as engrenagens do Estado .

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O jogo é bruto. Preservar Vorcaro e assegurar a Democracia deveriam ser gestos ordinários, mas, mais do que isso, são medidas de sobrevivência de uma nação inteira.

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