A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 28.3): O ódio às mulheres na pauta da política

  • A vida dos misóginos está uma desgraça! Misógino nenhum pode mais ser misógino com tranquilidade! Não se tem mais paz para odiar as mulheres, não se pode mais rejeitá-las em funções de chefia nem humilhá-las ou assediá-las, não se pode mais – veja só que absurdo – achar natural que sejam submissas aos homens e nem que sejam abusadas! Matar mulher, então, virou até crime – nem se pode mais alegar “legítima defesa da honra”, o mais sagrado escudo machista que havia! Isso é um horror! Certo é o deputado mineiro Nikolas Ferreira (PL), o vulgo “Nikole”, que chamou de “aberração” projeto de lei, já aprovado no Congresso, que equipara misoginia a racismo e prevê punições pesadas para quem agride mulheres com falas, ameaças e discriminação. O jovem amigo (ou cúmplice?) do vigarista Daniel Vorcaro diz, como se tivesse força para tanto, que vai mobilizar uma reação e buscar barrar a matéria. Ou seja, tentar autorizar que homens brutais deem, sem sanções penais, tabefes, chutes, facadas e tiros em mulheres.

Ares eleitorais
A misoginia vai desabar com força e com vontade sobre as discussões eleitorais. A parcela feminina de votantes deve ser sensibilizada para o assunto, que aponta para a contenção de uma crise gravíssima. O feminicídio, que é o ponto mais extremo da misoginia, registrou no Brasil em 2025 aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Foram 1.568 mulheres assassinadas contra 1.492 em 2024. Sociedade nenhuma pode sobreviver, seja sob qual for o pretexto que se coloque, num quadro assim. A luta contra a misoginia é uma causa da civilidade. Não é religiosa nem ideológica. Quem se coloca contra está se posicionando, sem nenhuma vergonha ou humanidade, a favor da barbárie. Até Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador com calibrosas e escancaradas veias autoritárias, votou contra a misoginia.

Voz roufenha
Bolsonarista-raiz, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), berra a plenos pulmões contra o projeto. Diz ela que o texto gera “divisão e ódio entre homens e mulheres. Ex-procuradora de Justiça (sim!), Bia acusa a esquerda de ter atropelado a direita e de nem saber definir o que é “uma mulher”.

Miss fake news

Damares Alves tem desempenho pífio e promove gestão ideológica | VEJA
Mas a sinalização mais clara do que move a extrema-direta em prol do crime de misoginia foi manifestada pela senadora Damares Alves (PL-DF, foto acima), autora de fake news que empestam casas parlamentares: “O texto pode afetar a liberdade de expressão e a liberdade religiosa”. Quer dizer que rebaixar e agredir mulheres são atos cristãos?

Argumento
Na cabeça de gente como Damares Alves é natural que mulheres sejam subjugadas. É assim que ela acena para as faixas conservadoras do eleitorado, nas quais há católicos e evangélicos. Ela mesma cita fala que fez sobre o tema: “Na minha Bíblia, está escrito que a mulher tem que se submeter aos cuidados do marido, mas o marido tem que protegê-la com a sua vida”. A alegação, no entanto, não resiste a uma superficial observação de estatísticas. A que “proteção” ela se refere?

Com base na lei
Enquanto os bolsonaristas de Brasília esperneiam a favor do crime, no Ceará o deputado Tomaz Holanda (Mobiliza) apresentou projeto de indicação propondo a criação da Delegacia Regional da Mulher do Sertão Central. A ideia é que seja sediado em Quixadá.

Pacto
A propósito, a Assembleia Legislativa lança na próxima segunda-feira o Pacto contra o Feminicídio no Ceará. A iniciativa inclui instituições públicas e representações da sociedade civil na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher. A apresentação será no auditório Murilo Aguiar, a partir das 14 horas.

ALECE - Alece institui comissão para organização do próximo concurso público da Casa

Política, sim!
A mobilização da Alece tem valor especial num novo cenário que se tenta construir. Primeiro, por ser um gesto político. Depois, por engajar segmentos diversos. Por fim, pela valia que representa para o Ceará todo. O movimento proposto não descrimina de acordo com fé ou posição ideológica. É assim, aliás, que se pode avançar em desafios coletivos.

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