A Coluna do Roberto Maciel (sábado, 2.5): Todos perderam; a Democracia saiu lesionada e não se supõe como ou se se recuperará

 

  • A rejeição pelo Senado do ex-advogado Geral da União Jorge Messias para ocupar a 11ª vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, em sessão na última quarta-feira, foi saudada efusivamente pelo a extrema-direita. Avalia-se, no campo bolsonarista, que o governo do presidente Lula foi fragorosamente vencido. “Uma derrota histórica”, anunciaram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e a parcela da Imprensa que é submetida ao radicalismo. Há um engano sério, no entanto: a decisão dos senadores afetou mesmo foi a instituição à qual pertencem. Trocou-se a obrigação de uma decisão técnica pela leviandade de uma deliberação  política questionável. Os parlamentares foram encantados pela fácil retórica de fragilizar o Planalto e se deixaram levar para o sombrio lado da incerteza. O PT saiu com nota assinada pelo presidente da sigla: “Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade (…). Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo é esvaziada pelo Legislativo”. Não é que o parlamento tenha atropelado o Executivo, mas é fato que criou-se um ruído forte e volumoso entre as relações de poder. E esse é, sempre, um caminho para o caos. Edinho apontou um aspecto de seriedade incontornável. Segundo ele, a rejeição de Jorge Messias “revela a disposição do Congresso Nacional de enfraquecer o Judiciário brasileiro e transformar uma indicação qualificada em disputa política para enfraquecer a Democracia”.

Mote
O senador Camilo Santana (PT), ex-ministro e ex-governador do Ceará, escreveu na mesma linha: “(Esse) movimento acende um sinal de alerta sobre o nível de politização em processos que deveriam ser guiados, acima de tudo, pelo mérito e pelos interesses do País”.

Ponto final
E Camilo foi mais além: “A tensão entre os poderes e um ambiente de insegurança institucional não contribuem em nada para o nosso desenvolvimento social e econômico, tampouco para o fortalecimento da Democracia no Brasil”.

Foi vingança?
Importante para o esclarecimento dos fatos é texto da jornalista Andreza Matais, do portal Metrópoles: “Até ontem (terça-feira) de manhã, Messias ainda tinha chances de aprovação, mesmo que apertada. O cenário mudou após a Polícia Federal investigar a entrada no Brasil de cinco malas transportadas em um voo que levava o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira”. É bom que se note: a autora tem posições públicas claramente críticas à gestão Lula.

Foi!
Prossegue a jornalista: “Num jantar que reuniu autoridades que têm mando no campo da política ontem (terça) à noite, com a participação de (Davi) Alcolumbre (presidente do Senado), o prato principal foi a articulação da derrota”. É possível que daí venha uma guerra surda e sangrenta entre Lula e Alcolumbre. Resta projetar quem vai ganhar.

“Projetos de mundo”

Sâmia Bomfim é a melhor deputada do ano, segundo o público
Já a deputada do PSOL-SP Sâmia Bonfim, referência da esquerda, olhou mais para a frente: “A derrota na indicação (…) mostra que apostar todas as fichas nas negociações ‘por cima’ é um equívoco (…). É hora de ir para cima, indicar uma mulher negra e comprometida com a classe trabalhadora. Não será uma luta fácil, mas a disputa de projetos de mundo precisa ser travada”.

Similares
No fim das contas, e diante de tantas e distintas avaliações, deve ser exposta para a sociedade que foi construído mais um episódio em que batalhar pela Democracia é o princípio, o meio e o fim. Não há o que negociar nessas circunstâncias. O golpe de 29 de abril talvez tenha a mesma letalidade do de 8 de janeiro, apesar dos cenários diferentes.

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