Por Roberto Maciel, jornalista:
A questão é simples: quem substituiria Flávio Bolsonaro, representando o radicalismo de direita na eleição presidencial deste ano, no caso de a candidatura do filho de Jair Bolsonaro ser abatida por um CAC da lei ou do bom-senso?
Envolvido até a raiz dos cabelos no mais grave escândalo financeiro que as américas já viram, o do banco Master, Flávio precisa se debater não apenas contra os adversários externos, mas também contra os “amigos” – “muy amigos!”, como diria o personagem portenho de Jô Soares. O desafio é convencê-los de que é inocente numa escancarada série de pedidos de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, e de desvios de grana, muita grana. É isso ou caminhar, lenta e resignadamente, para o patíbulo da política.
E, voltando à vaca-fria, quem poderia sucedê-lo na tarefa de “matar” politicamente Lula e os petistas? Vamos às opções:
Michelle Bolsonaro – sem respaldo do marido e sem a confiança dos enteados, correndo também o risco de ser constrangida por episódios do passado, é pouco provável que vá se expor e trocar uma provável eleição a senadora pelo Distrito Federal por uma incerta e arriscada aventura presidencial.
Carlos Bolsonaro – escolhido pelo pai para ocupar também uma cadeira no Senado, por Santa Catarina, o ex-vereador é frequentemente mencionado por opositores e até por aliados como autoritário e emocionalmente instável e, por isso, capaz de cometer alguma falha capital na campanha.
Ronaldo Caiado – os bolsonaros não confiam nele – temem que o ex-governador de Goiás dê uma rasteira no clã se for eleito, escorando-se no dinheiro e nos votos do agronegócio.
Romeu Zema – é tido pelo bolsonarismo como um “bobo da corte”. Por isso, é um tipo que não mereceria o respeito, a atenção e a confiança da extrema-direita por não ter contatos externos nem capacidade de domar o “centrão”. Na avaliação de muitos, não passa de um bufão que não fala coisa-com-coisa e que cumprirá melhor uma tarefa de coadjuvante em vez da de protagonista.
Ciro Gomes – tem relações com as origens do conservadorismo – o PSDB e o antigo PFL (hoje em partidos como União, PSD e Republicanos). Também dialoga com empresários e conhece os humores petistas. Por já ter posado de “progressista” poderia conquistar espaços entre os mais “flexíveis”. Não tem, porém, uma gota de confiança nem de respeito dos filhos de Jair Bolsonaro nem de Michelle, sendo ela a principal agente que tem arruinado uma eventual aliança entre tucanos e o PL no Ceará.
É politicamente orientado pelo empresário, ex-governador do Ceará e ex-senador Tasso Jereissati, numa relação quase laboral, e tem canais abertos com Aécio Neves, deputado federal tucano de Minas Gerais.
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É importante observar: PSDB e aliados se reúnem domingo próximo, 17.5, em ato num colégio do Conjunto Ceará, em Fortaleza, para manifestar publicamente que Ciro Gomes pode ser candidato a governador do Ceará – algo que, a rigor, vem sendo dito e repetido há três meses. Do contrário, e se for ele o ungido pelos radicais de direita, é possível que haja uma rearrumação de todo o tabuleiro da sucessão aqui, ali e alhures. E considere que 17, assim como 22, é um número que fala muito alto aos bolsonaristas.
Se tiver de dizer que vai ser o candidato da extrema-direita ao Palácio do Planalto, mesmo que como mero reserva de Flávio Bolsonaro, a hora será essa.


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