A inteligência artificial (IA) não deve ser vista como ferramenta de substituição, mas como meio de qualificação e humanização do serviço público. Essa foi a mensagem central do painel Sinergia na gestão pública: tecnologia e pessoas, de Danyelle Barreto, diretora executiva da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), realizada no XV Congresso Consad de Gestão Pública, no Centro de Eventos, em Fortaleza. Apresentada pelo diretor técnico da Etice, Danilo Reis, a gestora detalhou como a instituição está preparando o Estado brasileiro para os desafios da era digital.
Danilo Reis observou que a transformação digital gerada pela inteligência artificial, é, talvez a maior desde a Revolução Industrial, mas que não pode esquecer o foco de todo o processo, que são as pessoas. “Principalmente nós, que somos agentes do governo, temos que nos preocupar com isso”, pontuou.
Ao introduzir a palestrante, o diretor da Etice observou que o assunto é muito relevante, e assusta muitas pessoas, pelo temor de que sejam substituídas pela IA. Na realidade, se for bem trabalhado, a IA é uma ferramenta. Ele destacou que a palestrante tem larga experiência em implantação de projetos de inovação, de governo digital no âmbito do governo federal, e vem trazer o seu trabalho sobre estratégias de IA com foco nas pessoas.
O fator humano contra o “medo de ser obsoleto”
Um dos principais pontos abordados foi o impacto psicológico da tecnologia. Danyelle Barreto mencionou o fenômeno FOMO (Fear of Missing Out ou medo de ficar de fora, em português), destacando que muitos servidores temem ser substituídos ou se tornarem obsoletos diante da automação. Para a Enap, a resposta não é apenas tecnológica, mas educacional. A diretora enfatizou que a automação por si só não garante qualidade. “É o olhar crítico e humano que transforma processos mecanizados em serviços públicos de valor”, ponderou.
Capacitação em larga escala: EVG e Letramento em IA
Para enfrentar a diversidade e a dimensão continental do Brasil, a Enap aposta na Escola Virtual de Governo (EVG). A plataforma já alcança a marca de mil cursos, incluindo programas específicos para diferentes níveis de habilidade em IA. O objetivo inicial é promover o letramento digital, colocando servidores veteranos e novatos na mesma página, garantindo que a transformação seja inclusiva e não deixe ninguém para trás.
Além do ensino à distância, o programa Enap Aqui leva capacitação presencial aos estados, focando em problemas reais e habilidades práticas para o dia a dia. Só em 2024, a previsão é de que sejam entregues mais 900 horas de conteúdo voltado exclusivamente para a inteligência artificial.
Liderança e decisões baseadas em dados
A palestra também destacou o papel estratégico das lideranças. Segundo Danyelle Barreto, os gestores precisam aprender a gerir pessoas em um cenário de abundância de dados, utilizando a IA para tomar decisões baseadas em evidências. A ideia é que a tecnologia aumente a produtividade, permitindo que as equipes foquem no que realmente importa: a entrega de valor à sociedade.
Ao finalizar, a diretora reforçou que a Enap está estudando formas de avaliar o nível de maturidade dos servidores em IA para personalizar ainda mais os processos de inovação. “Não é substituindo, é compondo, preparando e qualificando“, concluiu a executiva, reiterando o compromisso da escola com uma gestão pública eficiente e profundamente humana.

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