“Combinando não morrer”: Parada Gay de Fortaleza destaca lutas contra o racismo e a violência

A Parada pela Diversidade Sexual do Ceará chega à edição de 2026 consolidada como a segunda maior do Brasil, superada apenas pela de São Paulo. No próximo dia 28 de junho, quando se comemora o Orgulho LGBTQIA+, a avenida Beira Mar receberá a 25º edição do evento. A parada tem reunido 1,5 milhão de pessoas há seis anos consecutivos em Fortaleza.

O tema deste ano – “25 anos combinando de não morrer” – faz referência à célebre frase da escritora Conceição Evaristo. No livro “Olhos d’água”, para destacar a capacidade do povo negro de sobreviver ao racismo, a mineira diz: “eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. Assim, a Parada aproxima-se ainda mais da agenda antirracista. Afinal, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo há 17 anos consecutivos.

A autorização para uso da avenida Beira Mar já foi expedida pela Prefeitura de Fortaleza e o Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), que organiza a parada desde a primeira edição, em 1999, já fez visitas técnicas ao local para definir a dinâmica de funcionamento dos serviços públicos municipais e estaduais. Novas visitas técnicas acontecerão e em 24 de junho o plano operacional da 25ª Parada será divulgado em coletiva de imprensa.

“Esperamos que seja uma parada de grande celebração, mas também de demonstração da nossa luta. Porque ano após ano as ondas conservadoras tentam acabar com as paradas e agora mesmo nós vemos a parada de São Paulo sendo sabotada nos financiamentos e atacada através de projetos de lei inconstitucionais. Estamos atentas para que esses ataques não aconteçam aqui no Ceará e já estamos pensando em estratégias para resguardar a nossa Parada, caso aconteçam. Não vamos ficar caladas”, afirma a presidenta do Grab, Dáry Bezerra.

Até o momento, oito trios elétricos estão confirmados na Parada deste ano. A programação de cada um será divulgada em breve. Instituições que desejem colocar trios na avenida têm até 10 de junho para apresentar documentação ao Grab. Além disso, pela primeira vez na história a Prefeitura fará o cadastramento de ambulantes que tenham interesse de trabalhar no evento. O edital será publicado em breve.

Novidade também será a criação da ala “Diversidade e Acessibilidade”, na qual ficarão pessoas com deficiência e condições específicas. A demanda foi apresentada ao Grab pela Associação de Surdos LGBT do Ceará. Além de um setor reservado na avenida, os trios receberão essas pessoas – caso elas desejem – e intérpretes de libras serão disponibilizados para o momento da militância, que marca o início da marcha pela avenida Beira Mar.

Também serão distribuídos abafadores de som para pessoas com hipersensibilidade a ruídos. “A gente vem dialogando sobre isso há algum tempo. Ano passado, fizemos alguns experimentos que deram certo. Este ano, estamos ampliando as ações porque não dá pra pensar em igualdade de oportunidades e ignorar a população com deficiência. Muitos LGBTQIA+ têm deficiências ou condições específicas e precisam ter garantido o direito de participar da Parada com segurança”, acrescenta Dáry Bezerra.

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