- Há um movimento contra a jogatina desenfreada ganhando volume no Brasil. A cantora Anitta, o cantor Caetano Veloso e a atriz Aline Moraes têm se destacado entre personalidades que criticam abertamente as chamadas “bets” e alertam fãs sobre o perigo que o jogo representa. Sem apostar na ironia, pode-se dizer que Anitta, Caetano e Aline estão cartando alto. Há muita e inescondível responsabilidade no que vêm falando. A disseminação dos jogos virtuais, que transforma computadores e celulares em cassinos, é um risco de proporções apocalípticas. A face mais exposta é o “jogo do tigrinho” e variações, nos quais incautos têm perdido até o dinheiro da comida. Em Fortaleza, há também mobilizações sendo gestadas na Câmara Municipal. É importante que instâncias populares, sejam oficiais ou do terceiro setor, se engajem numa profilática onda contra a degradação moral e a decomposição financeira das famílias.
Envolver
Anitta começou a gritaria nas redes sociais: “Basta. Já vimos que não deu certo. É hora que recalcular a rota. Proibir propagandas de bet. Seja em emissoras de televisão, seja por stories de influenciadores”, escreveu, pressionando autoridades. Caetano Veloso respondeu: “Estou dentro dessa campanha”.

Qual é o seu jogo?
A atriz Aline Moraes até cobrou reflexão dos seguidores: “De que lado da influência você está?” A mobilização, espera-se, pode ganhar força com o engajamento de outros influenciadores e personalidades públicas. Há a expectativa de participação de mais famosos. E há também um desafio enorme que espera só o pontapé inicial.
Doença galopante
Chama-se Copa do Mundo de Futebol a maior pedra no caminho do controle do vício em apostas. A competição começa em uma semana e já está toda coberta e embalada pelo estímulo e incentivo pago pelas plataformas. Os meios de comunicação já foram aparelhados pelos crupiês – legais ou clandestinos, não importa.
Lance
Em Fortaleza, o vereador Benigno Jr. (Rep, na foto) iniciou discussões na Câmara Municipal. Foi dele requerimento de audiência pública realizada na Casa sobre o problema social gerado pela jogatina. Ainda falta muito a ser discutido, mas o primeiro passo já foi dado. “O problema é de saúde pública”, diz o parlamentar.
Dependência
Para Benigno o tema exige “atitude imediata das instituições”. As apostas online, legalizadas no Brasil em 2018 – na era Michel Temer, portanto -, escancararam uma vulnerabilidade que atinge todas as classes sociais. “E tem causado grande destruição das famílias, não só em Fortaleza, mas em todo o Brasil. A dependência atinge dos mais vulneráveis até famílias de melhor condição”.
Mundo maluco
Com o Brasil padece de apagão mnemônico grave e, ao que se supõe, incurável, vale lembrar que o Centro Universitário Belas Artes, instituição com base em São Paulo, promoveu aula magna da Pós-Graduação em Autonomia Financeira Feminina. O empresário Roberto Justus, que tentou ser clone na TV brasileira do então apresentador de reality show Donald Trump, participou falando de protagonismo feminino e letramento para autonomia financeira.
Sujo e mal-lavado
E onde está a maluquice? Aqui, ó: o convidado para falar sobre dinheiro era sócio do Banco Master, do mafioso Daniel Vorcaro, enrolado até a raiz dos implantes capilares com o PCC. O parceiro de Justus na empresa SteelCorp era o SH Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, pertencente ao Master. Ou seja, puseram a raposa para falar de galinhas.

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