Jornalista que evitou massacre merece festa pública, feriado com o nome dele e até estátua: ato de coragem impediu tragédia na Avenida Paulista, mas herói acabou condenado a prisão

Por Roberto Maciel, jornalista:

Chama-se Luan Araújo o jornalista que quase morreu sob a mira da Carla Zambelli. O crime se deu na vizinhança da Avenida Paulista, num ensolarado e político fim de manhã – era sábado, 29 de outubro, e faltavam poucas horas para a votação de segundo turno nas eleições de 2022. Caminhando pela Alameda Lorena, o jornalista e militante negro deparou-se com a então deputada fascista Carla Zambelli (PL-SP) acompanhada por um grupo de homens mal-encarados.

Mesmo sem saber quais os propósitos de bolsonaristas nas proximidades do último comício do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Paulista, Luan abordou a deputada. Não a tocou, mas lembrou a ela que as projeções indicavam vitória do petista.

Foi o suficiente para Carla Zambelli sacar uma pistola e persegui-lo na rua, inclusive pondo em risco a vida de passantes que não tinham nada com a discussão. Carla Zambelli quase o executava na frente de dezenas de pessoas. A vítima precisou correr para salvar a própria vida.

Nesta semana, Luan Araújo teve prisão decretada pela Justiça estadual de São Paulo. Zambelli, que tentou matá-lo, havia aberto ação contra ele por “injúria” e danos à honra. Ganhou a questão. Condenado a pagar R$ 2,2 mil de indenização, Luan não o fez por falta de condições financeiras. Agora, está perto de ser preso.

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Já escrevemos que Luan Araújo, talvez inconscientemente, teve a luz e o destino de impedir um massacre na Avenida Paulista – na qual cerca de 50 mil pessoas, ele, inclusive, se concentravam no último comício de Lula.

Afinal, o que Carla Zambelli e seguidores de aparência violenta e hostil faziam ali, local de concentração de adversários, portando armas letais? O que pretendiam no comício de Lula? Quem eram os homens que acompanhavam a bolsonarista? O que poderia ter acontecido se disparassem um tiro naquela aglomeração? Seria fácil para o grupo fugir em meio ao pânico e ao corre-corre?

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A Justiça paulista não quis saber disso. Quis apenas contemplar a agressiva deputada e condenar a vítima.

Depois, falam os fascistas em “ditadura de toga”…

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