João Filho: “MBL sendo MBL” (ou “MBL e bolsonarismo são muito próximos – tóxicos, ideologicamente deformados e amoralmente alinhados ”)*

Do jornalista João Filho na newsletter Caos & Paixão:

O MBL só pariu aberrações para a política brasileira. Gabriel Monteiro, Mamãe Falei, Kim Kataguiri, Rubinho Nunes, Fernando Holiday e muitas outras figuras lamentáveis que representam o que há de pior na direita brasileira. Por algum tempo tentaram se vender como uma direita mais liberal, moderada, mas sempre foram essencialmente extremistas. Hoje, Renan Santos, candidato à presidência pelo partido Missão, não esconde mais o radicalismo. “Sou Milei na forma e Bukele no conteúdo”, admite ele.

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Cabe aqui uma nota do editor: MBL seriam as iniciais de um certo “Movimento Brasil Livre”, articulação de extrema-direita surgida entre 2012 e 2014 e responsável por agressivas ações de rua contra a gestão de Dilma Rousseff, para a qual defendia impeachment. O MBL, surgido em São Paulo mas apoiado por políticos de outros estados, como Eduardo Cunha (RJ), Jair Bolsonaro (RJ) e Aécio Neves (MG), se dizia “apartidário”, mas agora forma um partido chamado “Missão”. O nome é uma clara tentativa de se aproximar de messiânicos que acham estar cumprindo ordens divinas com o violento, excludente e persecutório discurso fascista.

Um dos nomes principais do Missão/MBL é o deputado Kim Kataguiri, que disse publicamente favorável à legalização de um partido nazista no Brasil; outro representante de destaque é o ex-deputado estadual – cassado pela Assembleia de São Paulo – “Mamãe Falei”, que viajou à Ucrânia para fazer turismo sexual, desvio moral que confessou a amigos (ou cúmplices) numa rede social; por fim, cabe menção a Renan Santos, cuja família é citada em investigações sobre lavagem de dinheiro e que foi mencionado pelo tal “Mamãe Falei” como autor da expressão “Tour de Blonde” para designar viagens a regiões pobres da Europa em busca de sexo com mulheres louras. Renan diz ser candidato a presidente da República.

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Voltemos, pois, ao texto de João Filho:

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Nessa semana conheci um novo exemplar da fauna do MBL. Eduardo Bisotto, marqueteiro do grupo, chamou Vini Jr de macaco durante uma live em que assistia ao jogo do Brasil. “O Virgínio é incapaz de acompanhar… A incapacidade cognitiva dessa gente me irrita”.

Em seguida, ele grita para Vini Jr: “Vamos, ô mono”. “Mono” significa macaco em espanhol. Bisotto não se arrependeu da frase ostensivamente racista e escreveu um textão em que começa dizendo que não irá se desculpar. Prometeu ainda processar todos os “criminosos” que chamaram ele de racista. A militância digital do MBL não censurou Bisotto de forma alguma. Pelo contrário, uma onda de solidariedade se formou em torno dele. 

Até agora não se viu nenhuma liderança do movimento comentar o caso. Bom, vindo da marca MBL a gente não esperava nada de diferente. Estamos falando de um grupelho cujo principal representante na política defendeu abertamente o direito dos nazistas se organizarem em partidos políticos na Alemanha mesmo depois do Holocausto.

É o mesmo grupelho que viu alguns de seus militantes abandonarem o barco por causa da tolerância interna ao nazismo. Essa é a turma que se vende como uma alternativa direita ao bolsonarismo. O fato é que MBL e bolsonarismo são muito próximos, tanto no espectro ideológico quanto no moral.

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