Do roseiral da Ana Márcia: “Filhos e plantas vão e vêm”

Por Ana Márcia Diógenes, jornalista, professora e escritora:

Na porta da geladeira daqui de casa tem uma frase assim “Filhos vão e vêm”. É uma brincadeira familiar porque nossos dois filhos não moram mais conosco, mas, de vez em quando, passam gostosas temporadas com a gente. O que nunca havia pensado é que a mesma frase seria um dia usada com relação a plantas.

Semana passada fui buscar na casa da minha cunhada, Solange, uma muda de rosa-do-deserto. Durante a pandemia da covid 19 fiz de tudo para ter uma rosa dessas brotando, entre os 200 jarros de variadas plantas que tínhamos no nosso pequeno apartamento. Elas nasciam, mas não vingavam, por falta de sol. Acabavam cheias de cochonilhas, um inseto branco que destrói as plantas.

Para evitar que morressem, demos os jarros das rosas-do-deserto para minha sogra, Pipi. Numa casa com jardim e quintal elas teriam mais sol e condições de florescer. Ao longo desses anos, Pipi, quase com 97 anos, foi cuidar de plantas no céu. Minha cunhada herdou o gosto de fazer mudas e distribuir.

Só trouxemos uma muda de volta porque fizemos uma minirreforma que garantiu sol bastante na varanda. Veio com uma flor aberta e outra já abriu aqui. Acho que agora temos o ambiente ideal para elas. É preciso saber deixar ir, é preciso entender que somos outros a cada ida e vinda. Cuidar é um aprendizado para quem fica e para quem vai.

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Ana Márcia Diógenes é graduada em Comunicação Social (UFC), especialista em Responsabilidade Social e em Psicologia Positiva e mestra em Planejamento e Políticas Públicas. É professora de Jornalismo (pós-graduação), escritora e consultora em comunicação e direitos para a infância e juventude.

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