Da Agência Pública:
A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do STF é mais um golpe duro nas ambições políticas da família. Basicamente, ele agora está “ilhado” nos EUA e vai ser muito difícil voltar a se candidatar.
Nossa equipe conversou com juristas e o cenário é complexo: para tentar diminuir um prazo de inelegibilidade que pode chegar a 12 anos, ele teria que voltar ao Brasil e cumprir a pena, caso contrário, ficaria com seus direitos políticos suspensos por estar em dívida com a justiça brasileira.
Mas essa história não começou ontem. Desde 2019, a Agência Pública investiga o passo a passo do estreitamento da aliança entre bolsonaristas e trumpistas.
Confira a linha do tempo que a nossa equipe ajudou a revelar ao longo dos anos:
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- 2019 | Assessores de Trump vieram ao Brasil debater estratégias com Eduardo Bolsonaro durante a eleição de 2018.
- 2021–2022 | Eduardo participou de 77 encontros com a extrema-direita americana (incluindo reuniões às vésperas da invasão do Capitólio). No 7 de setembro de 2021, ele trouxe uma comitiva de trumpistas para acompanhar as ameaças de Jair Bolsonaro ao STF. O evento conservador CPAC foi financiado por aliados de Trump.
- 2022–2023 | Após a derrota de Jair Bolsonaro, seus aliados adotaram as mesmas táticas de Trump de 2020. A aliança passou a se concentrar em questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro e ao STF, com a atuação conjunta de figuras como Steve Bannon e do consultor argentino Fernando Cerimedo na disseminação de narrativas de fraude eleitoral.
- 2024 | A família Bolsonaro movimentou mais de R$ 1 milhão nos EUA. Eduardo abriu empresa com influenciador de fake news Paulo Generoso e começou a articular com parlamentares americanos para punir o Brasil.
- 2025 | Eduardo se mudou para os EUA. Sua articulação resultou no “tarifaço” de Trump de 50% contra o Brasil e nas sanções contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
- 2026 | Eduardo Bolsonaro foi condenado por coação à Justiça no processo de julgamento do pai, sob o risco de ficar 12 anos inelegível. Além disso, ele também está envolvido nas investigações que relacionam Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com o financiamento de Dark Horse.Olhando assim, parece que a engrenagem da Justiça funciona sozinha. Mas a verdade é que essas conexões internacionais não viriam à tona sem jornalismo investigativo de verdade.
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Para ligar os pontos entre um evento conservador, articulações entre poderosos e sentenças na justiça, é preciso tempo, fôlego e independência. E a Pública tem tudo isso porque não depende de grandes marcas, bancos ou verba de partido político. Quem banca a nossa autonomia é você.
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