Fim da escala 6×1 deve acelerar investimentos em IA para proteger margens diante de impacto estimado de R$ 2 bi no varejo

O debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil tem levado empresas de diferentes setores a revisarem modelos operacionais e acelerarem investimentos em tecnologia. Enquanto trabalhadores e entidades sindicais defendem jornadas mais equilibradas e qualidade de vida, organizações se adequam para manter produtividade, preservar margens e garantir a continuidade do crescimento que já se verifica na economia do País na gestão Lula – diferentemente da recessiva política do governo Bolsonaro/Guedes. A movimentação corporativa  indica que a redução da jornada para o modo 5×2 é possível e deve gerar modernização, além de assegurar direitos para os trabalhadores.
 
As análises ganham mais relevância diante dos potenciais impactos econômicos para o setor produtivo. Estudo do banco BTG Pactual calcula que uma eventual mudança no modelo de jornada possa gerar aumento de aproximadamente R$ 2 bilhões nos custos do varejo brasileiro, pressionando margens operacionais e exigindo das empresas novas estratégias para ganho de eficiência.

Abaixo, informações da empresa SH Squads:

Na prática, a busca por soluções de automação e ferramentas digitais já pode ser observada em grandes redes varejistas, como supermercados, bancos e empresas de serviços, que vêm ampliando investimentos em caixas de autoatendimento, digitalização de processos e inteligência artificial. O objetivo é reduzir atividades repetitivas, otimizar recursos e permitir que equipes humanas atuem em funções de maior valor agregado.
 
Para o especialista João Almeida, Head de Negócios da SH Squads, empresa especializada em inteligência operacional, automação e integração tecnológica, o debate sobre a redução da jornada de trabalho deve acelerar uma transformação que já vinha ocorrendo em diversos setores da economia. “O principal movimento que se observa não é necessariamente a substituição de pessoas, mas a necessidade de as empresas crescerem sem ampliar seus custos na mesma proporção. Em um cenário de pressão sobre margens, aumento de despesas trabalhistas e necessidade de ganho de produtividade, a automação e os agentes de IA passam a funcionar como instrumentos de proteção de caixa e eficiência operacional”, afirma.
 
Segundo o executivo, a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta de inovação para assumir um papel estratégico na gestão financeira das empresas. “Quando uma organização consegue automatizar atividades como atendimento ao cliente, cobrança, conciliação financeira, análise documental, suporte interno ou processos administrativos, ela protege sua margem operacional. Em vez de aumentar estrutura e folha de pagamento a cada ciclo de crescimento, consegue absorver parte dessa expansão por meio da tecnologia”, explica Almeida.
 
PMEs precisam acelerar a adoção de inteligência artificial
 
Embora grandes empresas estejam liderando muitos dos investimentos em transformação digital, o avanço da inteligência artificial também começa a ganhar espaço entre pequenos e médios negócios.
 
Levantamento recente da FecomercioSP mostra que 58% das empresas paulistanas ainda não utilizam inteligência artificial em suas operações. Entre micro, pequenas e médias empresas, esse percentual sobe para 62,4%. Por outro lado, a pesquisa revela que 57% dos empresários demonstram interesse em conhecer melhor a tecnologia e suas aplicações práticas nos negócios.
 
Para Almeida, esse cenário demonstra que o mercado está entrando em uma nova fase de adoção da inteligência artificial, especialmente entre empresas que precisam aumentar produtividade sem elevar significativamente seus custos fixos.
 
“Automação era vista como algo acessível apenas às grandes corporações. Hoje, os agentes de IA permitem que pequenas e médias empresas automatizem processos inteiros com investimentos muito mais acessíveis. Isso reduz a necessidade de contratar novas equipes apenas para absorver aumentos de demanda e cria condições para um crescimento mais sustentável”, afirma.
 
Na avaliação do especialista, a evolução da inteligência artificial representa uma nova etapa da automação corporativa. Se anteriormente os sistemas executavam apenas fluxos previamente programados, os agentes de IA passaram a interpretar informações, tomar decisões dentro de parâmetros estabelecidos, interagir com clientes e colaboradores e executar atividades de forma autônoma.
 
“A tendência é a formação de operações híbridas, nas quais profissionais e agentes de IA trabalham lado a lado. As empresas que conseguirem integrar essas capacidades terão ganhos importantes de produtividade, escala e competitividade”, avalia o Head de Negócios da SH Squads.
 
Nos últimos meses, a empresa ampliou sua oferta de soluções voltadas ao desenvolvimento de agentes de IA e automação empresarial, implementando projetos capazes de automatizar processos e departamentos inteiros nas áreas financeira, comercial, operacional e tecnológica.
Entre as aplicações estão agentes inteligentes para atendimento ao cliente, cobrança, conciliação financeira, monitoramento de operações, análise documental, suporte interno, integração de sistemas e gestão de processos corporativos.
 
Bruno Cardoso, CTO da SH Squads, acredita que o debate sobre inteligência artificial frequentemente parte de uma premissa equivocada: a de que a tecnologia existe para substituir pessoas. “Toda grande evolução tecnológica eliminou determinadas tarefas, mas aumentou a importância das pessoas capazes de tomar decisões, resolver problemas e criar valor. Com IA acontece a mesma coisa.”
 
Para o executivo, o maior impacto dos agentes inteligentes está na automação do trabalho operacional e repetitivo. “Uma equipe não deveria gastar horas conciliando documentos, preenchendo sistemas ou executando rotinas previsíveis. Essas são atividades que podem ser automatizadas. O papel das pessoas passa a ser entender contexto, lidar com exceções, tomar decisões e direcionar o negócio.”
 
Cardoso afirma que empresas que enxergarem IA apenas como ferramenta de redução de custos podem perder parte do seu potencial. “O ganho mais relevante não está em fazer o mesmo com menos pessoas, mas em fazer muito mais com as mesmas pessoas. Organizações que conseguirem combinar profissionais qualificados com sistemas inteligentes terão uma vantagem competitiva difícil de replicar”, conclui.

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