Por Roberto Maciel, jornalista:
De figura nula e banal dos corredores do poder, poucos anos atrás, a filha de cearenses Michelle de Paula Firmo Reinaldo se tornou personagem de proa na política nacional. Acrescentou ao nome o sobrenome de Bolsonaro ao tornar-se a terceira esposa do exótico, radical e agressivo deputado Jair Bolsonaro, foi guindada a primeira-dama do País, virou presidenta do PL Mulher – braço feminino, não feminista, do Partido Liberal – e agora é referência para a direita e a ideologia evangélica no Brasil.
Michelle é, ela sim, o “mito”: o que sabe faz dela uma alegria e uma esperança para adversários; o que é desmonta toda essa avaliação.
Nesse campo minado, tem força para contrariar o marido e equilíbrio e coragem para reclamar e xingar Flávio, enteado que tem parte com ex-banqueiros vigaristas, milicianos e lavadores de dinheiro.
Michelle Bolsonaro é um fenômeno ainda não analisado convenientemente pelos acadêmicos e palpiteiros que observam a política: o que aplica nos movimentos que empreende? como pesa e pondera as decisões que toma? em que ou em quem se inspira? Michelle se pretende uma Evita Perón ou uma Isabelita? Uma Imelda Marcos? Uma Dona Santinha? tem leituras específicas? Não se sabe. O certo, só isso, é que acumulou nacos de poder que a autorizam a peitar adversários e aliados e a desafiar até os enteados que, sem buscar disfarces, são ambiciosos, desmedidos e inconsequentes aventureiros.
Foi assim que desembarcou na disputa política do Ceará e atrapalha planos do marido, do senador Flávio Bolsonaro e do fugitivo ex-deputado Eduardo – filhos dele -, do “poderdependente” Ciro Gomes, do imaginado suserano Tasso Jereissati, do comediante sem graça André Fernandes e de outros extremistas.
A presidenta do PL Mulher quer porque quer que a candidatura ao Senado do partido no Ceará caiba a uma inexpressiva ex-vereadora e agora deputada federal, Priscila Costa. Assim, alijaria da corrida o deputado estadual Alcides Fernandes. Pai do deputado André Fernandes, Alcides já havia sido “abençoado” por Ciro Gomes e Tasso Jereissati como candidato a senador, o que seria parte das negociações para a formação da chapa direitista.
Para fazer valer a vontade própria, Michelle não tem se incomodado em acatar o que interessa ao marido e aos enteados. Não se importa se for chamada de “madrasta má”.
Michelle Bolsonaro tem cartas nas mangas, só pode. Sabe muito sobre os que a cercam, isso é óbvio e inerente à condição de esposa e madrasta. E conhecimento, mesmo os mais ignorantes e nem as pedras admitem, tem peso e valor de ouro na política.
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Quer uma curiosidade? Michelle chama Jair de “galego”. Lula chamava Maris (1950-2017), primeira esposa, de “galega”. O apelido é com
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Foram retomadas nos últimos dias informações acerca de família de Michelle Bolsonaro. Reapareceram em veículos aliados a Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro episódios desabonadores da avó, da mãe e de tios da ex-primeira-dama. Coisas brabas, alíás, de tráfico de drogas a exploração sexual de menores, passando por falsificação de documentos.
O jogo é duro. Michelle está preparada?


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