Tuty Osório: “Pesquisa significa tendência”

Série mostra porque pesquisas são importantes e como podem ajudar (ou atrapalhar) a tomada de decisões

Por Tuty Osório (foto):

Tuty Osório lança livro na XV Bienal do CearáEscreveu Pierre Bourdieu que a Opinião Pública não existe. Em artigo famoso, do século passado, o pensador francês explicava que a opinião torna-se pública, quando provocada e divulgada em massa. Daí as pesquisas, enquetes, ancoradas em metodologias variadas, terem virado estrelas, guiando, ou não. É comum, não só em temporada eleitoral, como também em outras temporadas, surgirem muitos ditadores em pesquisa. Protagonizam leituras variadas, argumentando uma infinidade de conhecimentos e de instâncias legitimadoras.

Hoje iniciamos uma série de reflexões e provocações de pensamento, a respeito de Pesquisas EM GERAL (ELEITORAIS em particular), e o que elas podem fazer por nós – enquanto cidadãos, eleitores, lideranças, candidaturas. Cética de que é possível sistematizar tudo, sou consciente de que existem verdades temporárias, sujeitas a serem conhecidas em referência a contextos conjunturais, históricos, culturais. O senso comum afirma que a pesquisa é um retrato do momento em que é realizada. Quem exercita a arte e o ofício da fotografia, e quem contempla os seus resultados, sabe que uma fotografia é muito mais que o momento.

Observações sobre a realidade, em oposição à virtualidade e à conjectura, pedem prudência e calma nas conclusões. Pesquisas, quantitativas (as expressas em percentuais), qualitativas (as expressas em textos analíticos), são indicativos de tendências. Têm que ser reaplicadas periodicamente, dependendo do objetivo. E fazem sentido umas em relação às outras. A de hoje tem que ser analisada com as luzes comparativas da anterior e da leitura complementar de metodologias combinadas. Por exemplo: o candidato à presidência que ora cai nos percentuais, já indicava essa tendência de queda anteriormente. O seu perfil estava, e permaneceu, em desacordo com a expectativas de estabilidade do eleitor, expressas em quantitativas e qualitativas sucessivas.

É importante ressaltar que somos analógicos, gregários presenciais, falantes de linguagens, detentores de racionalidades e de emoções (não raro, ambas confundem-se em suas manifestações). Daí que não há aplicativo, sistema, leis gerais, equações testadas, – e por aí vai- que deem conta de compreender as Pesquisas sem a intervenção de observadores qualificados do cotidiano, sabedores do uso adequado das ferramentas conceituais de interpretação da opinião provocada pelas enquetes.
Senão, sigamos. Daqui a uns dias tem mais especulações.

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Tuty Osório é especialista em pesquisa qualitativa, escritora, produtora cultural, publicitária e jornalista. É, também, espectadora atenta dos cenários que se desenham, continuamente em modificação.

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