- O Governo do Ceará abriu concorrência para elaboração de estudo de viabilidade técnica, ambiental e econômica mirando a erosão em falésias em Canoa Quebrada e vizinhança. O certame será nacional. A cada temporada de chuvas as comunidades da região sofrem horrores. Ficam até sujeitas a deslizamentos com vítimas. As ameaças ganham a forma de fundas crateras e fendas, afetando sobretudo quem reside ou transita na comunidade dos Estevãos. É uma demanda grave e há anos a situação perturba não só moradores, mas também operadores do turismo. Ou seja, os danos alcançam a integridade física das pessoas e a do ambiente natural e a própria economia. Há agora uma expectativa de que um resultado possa ser enxergado no horizonte – belo e aplaudido – da multicultural Canoa Quebrada. É, sem dúvida, um ganho político que custou muitas movimentações na localidade. O Estado estima que a contratação possa chegar perto de R$ 660 mil. A Secretaria do Turismo vai cuidar de todo o processo.
Marca
A luta pela proteção das falésias de Canoa Quebrada – que são marca visual do lugar, abrigando até o internacionalmente famoso símbolo da lua e da estrela – tem raízes mais antigas. Os moradores se mobilizaram em várias ocasiões para impedir que vândalos ou desavisados quebrassem ou até riscassem as formações. E apoiaram firmemente a proibição de veículos passando por lá.
No tribunal
Outro momento importante foi no começo dos anos 2000, quando a Justiça determinou que mega barracas na beira da praia fossem deslocadas para áreas onde não há falésias. Chegou a hora, então, de o Governo fazer parte dessa articulação. As propostas para a concorrência poderão ser apresentadas até 2 de setembro próximo.
Mais rigor
Passou no Senado projeto que aumenta as punições para a violência sexual digital contra crianças e adolescentes, incluindo situações em que o criminoso usa inteligência artificial. Curiosidade pluripartidária: o autor do texto é Osmar Terra (PL-SC) e o relator foi Fabiano Contarato (PT-ES). Fica para o presidente Lula a sanção do texto.
Ainda é pouco
Em casos de produção, reprodução, direção, fotografia, filmagem ou registro de conteúdo de violência sexual contra criança ou adolescente, assim como a venda ou a exposição, a pena atual é de quatro a oito anos de cadeia e multa. A nova punição passa para quatro a dez anos de prisão e multa.

Que família!
Já a pena de hoje para quem obtém ou armazena material pornográfico com crianças e adolescentes é de um a quatro anos de xilindró e multa. Pois o projeto aumenta essa punição para três a seis anos de reclusão e multa. Outra curiosidade, agora policial: em agosto de 2025, um delinquente chamado Gilberto Firmo (foto acima) foi preso em Ceilândia (DF) por esse crime. O sujeito é tio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Plataformas e precarização
A psicóloga e professora universitária Mônica Gurjão lança hoje em Fortaleza o livro “O Trabalho na Era da Plataformização: o algoritmo da desigualdade no Brasil”. O estudo resulta de doutorado em Psicologia Social que a autora cumpriu na PUC de São Paulo. O foco é um dos mais discutidos – e preocupantes – em meios acadêmicos, políticos e jurídicos.
A vítima se culpa
A tese aponta como as plataformas de trabalho, como as de transporte em carros e de entrega de comida, têm “redefinido direitos e produzindo novas formas de exploração e controle”. E destaca: no contexto da “plataformização” cada indivíduo “passa a se perceber como o responsável pelo próprio sucesso ou, mais frequentemente, pelo fracasso”.
Preste atenção
Além de doutora em Psicologia Social, Mônica Gurjão é pós-doutoranda em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP). O livro será lançado na entidade Casa Comum (Rua Nogueira Acioli, 1705 – Centro, Fortaleza), em evento a partir das 10 horas.


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