Eleições e tarifas elevam atenção sobre o Brasil; pesquisa com vantagem de Lula muda percepções do mercado

Olívia Flôres de Brás (@oliviafbras) • Instagram photos and videosPor Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos:

Os mercados começaram esta quarta-feira recebendo duas notícias capazes de alterar significativamente a percepção de risco sobre o Brasil. No campo político, a pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula ampliando sua vantagem para oito pontos sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, além de liderar também na simulação de primeiro turno. No campo econômico, cresce a expectativa de que os Estados Unidos anunciem ainda hoje uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Separadamente, cada notícia merece atenção. Juntas, elas lembram ao investidor que o risco político raramente chega sozinho.

No cenário internacional, a inflação americana trouxe um raro alívio. O CPI de junho veio abaixo das expectativas, reduzindo significativamente a probabilidade de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os mercados globais. O S&P 500 e o Nasdaq avançaram, enquanto o dólar perdeu força frente às principais moedas. Ainda assim, a geopolítica segue impondo cautela aos investidores.

Mesmo com o dado benigno de inflação, o petróleo voltou a subir diante da continuidade das tensões no Oriente Médio e dos riscos envolvendo o abastecimento global de energia. O movimento reforça a percepção de que choques geopolíticos continuam sendo uma importante fonte de pressão inflacionária para os bancos centrais.

Na Ásia, os números da China mostraram uma economia mais complexa. O PIB do segundo trimestre desacelerou, mas indicadores de produção industrial e vendas no varejo vieram acima do esperado, reforçando a possibilidade de novos estímulos por parte de Pequim, especialmente voltados ao consumo e à infraestrutura.

A tecnologia voltou ao centro das atenções após a ASML elevar novamente suas projeções de vendas, impulsionada pela corrida global por inteligência artificial. O desempenho reforça a percepção de que a demanda por semicondutores e infraestrutura tecnológica permanece extremamente aquecida.

No Brasil, o ambiente externo mais favorável permitiu recuperação dos ativos financeiros. O real apresentou forte valorização, o Ibovespa avançou e a curva de juros recuou acompanhando o movimento das Treasuries americanas. Ainda assim, a principal preocupação do mercado segue sendo a possibilidade de imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

Embora estimativas indiquem que uma parcela relevante das exportações brasileiras possa permanecer isenta, setores específicos poderão sofrer impactos importantes sobre receitas, margens e competitividade internacional. Além disso, o tema adiciona um novo elemento de incerteza ao cenário doméstico.

No campo político, a pesquisa Genial/Quaest também reforça um cenário que tende a ser incorporado aos preços dos ativos. A liderança de Lula nos cenários de primeiro e segundo turno e o elevado percentual de eleitores que afirmam já ter definido seu voto aumentam a atenção dos investidores em relação ao risco fiscal e à condução da política econômica nos próximos anos.

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