A análise da Tuty: “O pessimismo da razão”

“Da série Pesquisas eleitorais – qual a utilidade?”

Tuty Osório lança livro na XV Bienal do CearáPor Tuty Osório (foto ao lado), jornalista e escritora:

Reflexão recente é a influência, chamada de poder, do eleitorado feminino nas próximas eleições presidenciais no Brasil . De fato, as mulheres correspondem à maioria do eleitorado brasileiro. Estatisticamente isso teria impacto garantido nos resultados, não fosse a hegemonia do pensamento masculino, como sabemos, conceito diverso de maioria. Se assim não fosse, não teríamos a inferioridade das mulheres ainda em luta de superação dessa condição. A expansão dos feminicídios divulgados está aí para comprovar que mesmo estando em melhor situação que há um século, ainda temos muito o que caminhar.

Uma das pesquisas divulgadas na internet mostra que as mulheres citadas, espontaneamente, como mais influentes, nenhuma é detentora de papel institucional. Aparecem influenciadoras pelos conselhos de beleza, pelo sobrenome do casamento ou pelo protagonismo em escândalos espetaculares em bolhas, ou, ligeiramente fora delas. Qualquer referência a nomes específicos pode soar preconceituosa e, o que é pior, baseada em valores masculinos. Deveriam ser admiradas as mulheres que ocupam funções anteriormente exclusivas dos homens, ou, é legítimo consagrar outros espaços?

Ficou tudo muito embaralhado nas referências. Enquanto é elaborado um projeto que proporá a extinção do voto feminino nos Estados Unidos, substituindo a votação individual pela votação familiar liderada pelo designado chefe masculino, a disputa está num terreno virtual que não anuncia mudanças leais. Importante seria uma pesquisa nacional que questionasse a nossa população a respeito dessa possibilidade bizarra – um recuo histórico depois de tanta luta empreendida pelas sufragistas inglesas e as suas seguidoras.
Lançado aqui o desafio aos grandes Institutos de Pesquisa e aos potenciais patrocinadores de tal investigação. Sabemos que as mulheres são elogiadas, com condescendência, pelos homens e pelas próprias. Está mais que na hora de enfrentarmos o verdadeiro lugar que ocupamos e a coragem que temos para ocupar o lugar que devemos. Devemos, inclusive, querer. Temos recuado. Está na moda reclamar de misoginia, machismo, ódio às meninas. Porém, até que ponto temos ficado frente a frente com os direitos concretos, os quais a teoria diz que conquistamos?

Conclamamos por uma Pesquisa com Plano Amostral baseado em Universo Real rigorosamente correspondente. Fatores de ponderação transparentes. Distribuição criteriosa nos territórios, porque é em territórios que habitamos. Por mais redes sociais que sejam, sucessivamente criadas, somos analógicos, animais e de carne feitos. Daí que a aplicação dos questionários tem que ser presencial.

Atentem para cada tópico acima. Metonímia é bem diferente de metáfora. Senão, vejamos.

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  • Tuty Osório é especialista em pesquisa qualitativa, escritora, produtora cultural, publicitária e jornalista. É, também, espectadora atenta dos cenários que se desenham, continuamente em modificação.

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