João Filho, no The Intercept: “Sob as barbas do TSE”

Do jornalista João Filho, no site The Intercept:

Nesta semana, uma nova fake news sobre Lula passou a circular na praça. Os candidatos bolsonaristas Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Marcelinho Carioca espalharam que Lula desprezou a profissão de gari. Pegaram uma fala de um discurso do presidente em Belo Horizonte, cortaram pela metade e inverteram o sentido do que ele disse.

No trecho compartilhado por Flávio, Lula fala o seguinte: “Quando eu passo na rua e vejo aquelas pessoas que trabalham recolhendo lixo, é uma profissão muito pobre, porque não é uma profissão que dá orgulho: ‘Eu sou lixeiro’. O cara tem orgulho de falar: ‘Eu sou engenheiro’, ‘eu sou médico’. Mas lixeiro é uma coisa pobre de quem não pôde estudar”.

O vídeo é interrompido e omite a parte em que Lula conclui o raciocínio: “Eu fico pensando se aquelas pessoas que fazem a limpeza na rua soubessem a importância do trabalho deles. Que se eles não tirarem lixo durante uma semana, as pessoas que não enxergam ele durante o dia inteiro vão passar a enxergar. A gente começa a mudar, porque o pobre é tratado como se fosse invisível. As pessoas não enxergam a maioria dos pobres”.

Alguns excessos e golpes abaixo da cintura são toleráveis em uma campanha eleitoral. Faz parte do jogo, sempre foi assim. Mas fabricar fatos de maneira tão descarada para atacar o adversário por palavras que ele nunca disse é um nível de canalhice que está muito acima do tolerável. É mais um absurdo que o Tribunal Superior Eleitoral certamente deixará passar. Ainda mais agora, que tem Kassio Nunes como presidente e André Mendonça como vice.

 

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