Por Eliézer Rodrigues, jornalista, presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI):
No seu imenso leque de obras, ora como cantor, ora como compositor, Chico Buarque tem também ligações com o Ceará. Existe uma composição, na qual o talento de Chico está presente por inteiro. É canção “Paroara”, de autoria dele, em parceria com Fagner e Fausto Nilo, gravada em 1985.
A letra da música é inspirada numa antiga denominação popular, “Paraora”. A expressão identificava cearenses, que nas grandes secas, especialmente na segunda metade do século XIX, migravam para Amazônia em busca de emprego e sobrevivência.
Só que alguns quando voltavam para o Ceará, com repentino poder aquisitivo, se esbaldavam em farras, mulheres. Uma festa só.
A letra do trio, Chico, Fagner e Fausto Nilo, é engraçada. Pois mistura a “riqueza” inesperada do “paroara” com pau-de-arara, garimpo e entra até na ficção com a musa do Cinema Mudo, Theda Bara.
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O Paroara é o título do livro de sanitarista e escritor baiano, radicado no Ceará, Rodolfo Teófilo. No romance, o autor conta a história, ambientada nos finais do século XIX, do migrante João das Neves, agricultor pobre do interior cearense. A obra também tem o viés de denúncias sobre as arbitrariedades praticadas pelo Governo do Ceará.
Além de apelidar os “paroaras” que regressavam, o povo alcunhava os emigrantes de “arigó”, que é associado à ave de arribação.
As expressões “arigó” e “paroara” foram ainda apelidos comuns, durante a Segunda Guerra Mundial, 1939/1945. À época dos “Soldados da Borracha”, tanto na ida à Amazônia, quando do retorno às raízes nordestinas.
Mas, aí são outros quinhentos.


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