D. Ciro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança Bourbon e Ferreira Gomes

Por Roberto Maciel, jornalista:

Soa um tanto teatral, beirando a canastrice – é impossível não concluir isso -, declaração que a campanha de Ciro Gomes (PSDB) está priorizando em programas eleitorais gratuitos no rádio e TV. Aparece lá o candidato coronelista-tassista-bolsonarista, microfone em punho, gritando aos sete ventos: “Vou dar a minha vida para libertar o povo do Ceará!” Acredite.

Ao ver aquilo, fiquei tentado a achar que Ciro estava procurando emular o desempenho de Tarcísio Meira (1935-2021, vítima da covid-19) no filme “Independência ou Morte”. A produção, encomendada pela ditadura militar, foi uma das peças da campanha ufanista do sesquicentenário da independência de Brasil de Portugal, em 1972.

A manifestação de Ciro tem um quê de arranco, de arrochado (como se dizia dos valentões no Ceará uns muitos anos atrás), de figuras folclóricas que fantasiam ser Napoleão Bonaparte, que não consegui me desvencilhar das imagens do filme.

O trabalho de meio século atrás foi marcante para Tarcísio. O ator conferiu ao personagem principal, d. Pedro I, rompantes irascíveis e heroicos. Transformou o primeiro imperador num símbolo do jovem ousado, corajoso, voluntarioso – na verdade, segundo historiadores, um sujeito dado a farras, a música boa, a trabalhar pouco, chegado a relacionamentos clandestinos, completamente apegado a ganhar muito dinheiro por caminhos pouco recomendáveis, tendo como amigo (ou cúmplice) um vigarista chamado Francisco Gomes da Silva, vulgo Chalaça.

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Pelo visto, Ciro Gomes entende que o espírito desabrido de d. Pedro I, sendo o verdadeiro ou o ficcional, encarnou nele. Por isso tentaria agir como o imperador que foi retratado nas telas.

Esse “encosto real” o faria berrar coisas como “Vou dar a minha vida para libertar o povo do Ceará!” Ou a agredir a hoje prefeita Janaína Farias (PT), de Crateús, chamando-a de “cortesã” e “assessora para assuntos de cama”. Ou xingar as petistas de “militantes de feminismo vazio”.

Ou a requebrar ao som de uma música que avisa: “Vou começar a bater em mulher”.

Só pode.

Domitila que se cuide.

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NOTA: Nunca soube, desde meus tempos distantes de Colégio Santo Inácio, nem procurei saber o nome completo de d. Pedro. Essa informação nunca me serviu para nada nem me fez falta. Nunca apareceu professor que pusesse isso em prova. Não se impressione, portanto, com o “feito” do título deste artigo. Google existe é para isso também.

 

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