Por Roberto Maciel, jornalista:
Uma montanha de desesperanças e sofrimentos não pode ser tratada como um monturo banal, mas é isso o que a extrema-direita está fazendo no caso das bets – e, para ser justo com a extrema-direita, é o que essa facção tem feito seguidamente com a verdade, a lógica, o respeito aos fatos e o respeito aos interesses das pessoas. Desespero e medo não podem ser considerados simplesmente lixo nem, diferentemente do que querem os radicais do ódio, serem conservados como capital político.
O presidente Lula (PT) deve anunciar nesta sexta-feira, em São Paulo, a medida provisória que joga uma pá de cal sobre as bets – cassinos que, por serem eletrônicos e on-line, entram onde estiver o viciado em jogatina, seja em casa, no trabalho, nas escolas ou nas igrejas.
Rapidamente instituiu-se no País uma força-tarefa a favor dos jogos.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro e do mafioso do banco Master, Daniel Vorcaro, apareceu rapidamente na propaganda eleitoral (eleitoreira, melhor definindo aquilo o que faz) acusando o governo Lula de ser o “pai do Tigrinho”. E de ter escancarado os portões do País para os jogos.
É mais uma mentira.
Ouvi hoje de manhã – com desencanto, afirmo – uma boa referência do jornalismo radiofônico tentando desancar a providência contra as bets e ameaçando o governo com o que seria uma reação adversa a vir das torcidas de futebol. Era o apresentador Luiz Megale (Rede Bandeirantes).
Mas as verdades são outras: 1) foi o ex-presidente Michel Temer (MDB), golpista que comandou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, quem sancionou em dezembro de 2018 a lei que autorizou a operação no Brasil as apostas esportivas; 2) as torcidas de clubes passaram a enxergar com desconfiança resultados dos times e desempenhos de ídolos; 3) atletas como Bruno Paquetá e Bruno Henrique foram engolfados por sombrios casos nos quais foram acusados de manipular placares.
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O mercado da jogatina não ficou só com empresas pretensamente regulares – o que, por si, já seria péssimo. Um enxame de bets fraudulentas, controladas por organizações criminosas, invadiu comunidades, bairros, cidades, estados, o País todo. A gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022) não fez nada para conter os criminosos, o apetite de milicianos por dinheiro fácil e o descontrole de jogadores. Nem o corre-corre de influenciadores atrás de uma trocados. A gestão de Lula tentou arrumar a casa, regulamentando a atividade. Não deu certo. O único caminho a se tomar é o que se tem agora: a proibição.
O que está para ser feito vem, desde quando se aventou a solução, sofrendo com a agressividade orquestrada por donos de cassinos e partidos radicais, além de empresas de comunicação: relacionar a medida com a cena eleitoral, questionar o porquê de só agora estar sendo decepada a cabeça do “tigrinho” e chamar de “oportunista e eleitoreira” uma ação que está libertando de dívidas cruéis jogadores viciados e famílias dependentes.
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Quem não gostou que faça sua aposta.


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