A Coluna do Roberto Maciel (quinta, 29.1): Visibilidade trans é a visibilidade dos direitos do cidadão

Celebra-se hoje o Dia da Visibilidade Trans. É uma data movimentada, não há dúvida, pois fala alto sobre direitos sociais, respeito à diversidade e histórias de resistência. É, por isso, essencialmente política. Mas, se cabem nela manifestações festivas, é também data de reflexões e alertas. Utiliza-se a referência de que no Brasil a expectativa de vida de uma pessoa trans é de curtos e arriscados 35 anos. Isso representa menos da metade da média nacional, que é de cerca de 78 anos. A grande maioria das pessoas trans que morrem é vítima de agressões – o Ceará tem na folha corrida o brutal assassinato da travesti Dandara dos Santos, em 2017. Órgãos oficiais e entidades do terceiro setor calculam que a taxa de violência contra mulheres trans entre 2014 e 2023 aumentou mais de 1.000%, sendo que homens trans sofreram aumento de 161% nas notificações de violência de 2019 a 2023.

É o que é
O deputado bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) é notório por dois episódios de transfobia: 1. Quando vereador em Belo Horizonte, induziu a irmã a gravar imagens de aluna trans no banheiro feminino de uma escola. Depois, veiculou as imagens nas redes sociais e estimulou o linchamento virtual da garota; 2. Já deputado federal, ocupou a tribuna da Câmara e, com uma peruca, dizendo se chamar “Nikole”, debochou feito moleque da legislação que protege a diversidade sexual.

Perigoso
Nikolas Ferreira se diz evangélico e temente a Deus mas é transfóbico e violento. Despreza leis e o respeito aos outros. Estimula seguidores a perseguirem e destruírem vidas. Não fortalece a política, não promove debates sérios, nega princípios religiosos, ignora direitos humanos e difunde mentiras – ou fake news, como se diz. O que faz tem viés fascista e contraria a Democracia.

Para decolar
Nas contas do secretário estadual do Turismo, Eduardo Bismarck, a rota aérea recém-inaugurada entre Fortaleza e Madri (Espanha) deve ser movimentada por cerca de 38 mil turistas anualmente e gerar R$ 144,5 milhões para a receita direta da economia cearense. Os números são superlativos. “Essa rota amplia o acesso do Ceará a mercados estratégicos”, diz o secretário.

No ar


No entanto, o olhar de Eduardo Bismarck está voltado para muito além das belas ruas madrilenhas. O foco é o que ele define como “conectividade internacional”. O objetivo, diz, é “manter o diálogo com as companhias aéreas e assegurar que o turismo continue contribuindo para a geração de emprego, renda e desenvolvimento no Estado”.

É assim que se faz
Sabe a estupidez de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”? Pois a Polícia do Ceará não acredita nisso. Nesta semana, engaiolou em Iguatu um facínora que perseguia, ameaçava e agredia a ex-companheira. O “valentão” era tão atrevido que estava atacando a vítima quando ela ia dar parte da violência na Delegacia do Município. Os agentes podem ter evitado mais um caso de feminicídio.

Mãe
Tem a letra da deputada Larissa Gaspar (PT) projeto na Assembleia que determina a todas as unidades de saúde do Ceará credenciadas pelo SUS que garantam a mulheres mães de natimortos ou em óbito fetal leitos em separado. A proposta tem a ver não só com saúde física, mas também com saúde mental. “Para humanizar o atendimento às mães enlutadas”, diz Larissa.

Não é “ter”; é “ser”
A nada inteligente extrema-direita, que manda no Estado de Santa Catarina, tem só até hoje para explicar ao STF ação gravemente ilegal. A Assembleia de lá aprovou projeto de deputado bolsonarista que desobriga as instituições estaduais de ensino superior de cumprirem a política de cotas raciais. Inconstitucional até a raiz, a proposta foi sancionada pelo governador que, claro, é do PL. A lei das cotas vigora há 14 anos e é federal. Não foi o caso de “ter sido” racista, mas de “ser” racista.

 

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