A Coluna do Roberto Maciel (terça, 6.1): O Ceará, a Democracia e a Venezuela

  • O governador Elmano de Freitas (PT) e o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Adigueri (PSB, ambos na foto acima), deixaram o fim de semana pra lá e se posicionaram sobre o ataque cometido sábado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. É um contexto que, pode-se supor, parece diverso do do Ceará, mas não é. Elmano e Romeu publicaram textos na plataforma Instagram com sentidos próximos: a Democracia, o respeito e a autonomia das nações. Observe-se que empresas cearenses têm negócios com a Venezuela (sobretudo produtos alimentícios como farinha de trigo e massas) e com os Estados Unidos (minerais, manufaturados, alimentos, cera de carnaúba e óleos, entre outros) e preservar a higidez de relações comerciais e políticas é essencial em cenários globalizados e modernos como o atual. As manifestações do governador e do presidente da Alece também tiveram referência relevante – a do presidente Lula, que destacou a importância uma mobilização internacional contra atos como o de Donald Trump, que injuriam de morte a Democracia.

Grave
Elmano escreveu: “O ataque contra a Venezuela é grave e representa precedente extremamente perigoso. Ataques a nações violam as regras do direito internacional e contribuem para o surgimento de novas guerras, que só trazem mortes, sofrimento e destruição”.

Mediação e equilíbrio
O governador concluiu: “que a ONU encontre o melhor caminho para responder e mediar essa situação em solo venezuelano. O diálogo e a paz devem prevalecer, sempre!”

Considerações
Romeu Aldigueri classificou personagens: “(Nicolás) Maduro (presidente deposto da Venezuela) é um ditador. E todo ditador é um criminoso. (Donald) Trump (presidente dos EUA) é um autoritário. E todo autoritário não merece meu respeito”.

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Solidariedade
O presidente da Alece completou: “Ambos não pensam no povo venezuelano, ao qual destino minhas preocupações e minha solidariedade. Preocupo-me também com a América Latina, que também é vítima nesse caso. Nada garante que Trump vai parar por aí. Da mesma forma que invadiu um país pelo petróleo, pode invadir outro pelas riquezas amazônicas. Não temos o que comemorar”.

Perdas e danos
Aldigueri conclui que “a diplomacia perdeu. O direito internacional perdeu. A Organização das Nações Unidas perdeu. Que o Brasil exerça sua liderança para fazer com que a diplomacia e a democracia prevaleçam!”

A força das palavras
As palavras de Elmano de Freitas e de Romeu Aldigueri não chegarão aos fóruns internacionais, é óbvio. Também não era essa a pretensão. O objetivo do governador e do presidente da Alece pode ter mais efeito no fortalecimento de noções democráticas no campo local, o que é vital. Ambos acertaram em não calar.

Outro lado

Ninguém de expressão na direita ou extrema-direita no Ceará se pronunciou. Só o ex-deputado Wagner Sousa (UB) soltou videozinho nas redes sociais. “Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano. Viva a democracia, a liberdade e a prosperidade!”, disse, ignorando que as tais “democracia, liberdade e prosperidade” foram literalmente sequestradas por uma invasão dos Estados Unidos.

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