Por Ana Márcia Diógenes, jornalista e escritora:
Dentro de mim tenho vários carnavais. Um deles não pode ouvir um pandeiro, uma cuíca, que já sai dançando; outro adora uma fantasia inusitada; há o que gosta de assistir aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo pela televisão (mas que o estirão de tempo dá preguiça) e aquele que, quando olha uma rede armada, já pega um livro para deitar e colocar a leitura em dia.
Convivo com tranquilidade com todos meus carnavais. Eles somam quem eu sou, as várias vontades que tenho e a eterna sensação de que o tempo é curto para que possamos fazer tudo o que gostamos em tão poucos dias. Chego à quarta-feira de cinzas sempre com a sensação de que podia ter feito mais: dançado, escolhido uma fantasia mais criativa, assistido a todas as escolas, lido um monte de livros.
Quando a lembrança do passado vai até a adolescente que fui e que passava o Carnaval em Quixadá, percebo a mesma prestação imprestável de contas: sempre quis esticar estes dias festivos. À época, dançava da primeira à última música que a banda tocava no Balneário Clube. Era uma mocinha magra, só cabelo e ossos, mas a energia carnavalesca turbinava meus motores.
Carnaval é um espírito antigo que habita na gente e que espero que me acompanhe no meu sempre. É a criança dentro de nós que se rebela às normas do mundo adulto. O adolescente que descobre ser independente de seus pais. O adulto que abre o baú das memórias, vê que a vida é passagem e investe em se divertir.
Nos poucos dias deste feriado que tanto representa o ser brasileiro – e dos vários carnavais que possibilita -, a principal regra é ser feliz à escolha de cada um/uma.
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Ana Márcia Diógenes é graduada em Comunicação Social (UFC), especialista em Responsabilidade Social e em Psicologia Positiva e mestra em Planejamento e Políticas Públicas. É professora de Jornalismo (pós-graduação), escritora e consultora em comunicação e direitos para a infância e juventude.


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