Por Ricardo Kelmer (foto), escritor, produtor e agitador cultural:
No fascinante universo feminino, os esmaltes são um capítulo à parte. Você já reparou no nome deles? Haja criatividade. Fico imaginando como é o processo de escolha. “Baba de unicórnio”, por exemplo. O que o pessoal do marketing fumou pra criar um nome assim? E o que eles pretendiam com o esmalte “As inimigas choram”? Atiçar ainda mais a discórdia?
No quesito gastronomia, tem o “Risoto de mandioquinha”. Isso é nome que se ponha num esmalte? Mas tem um mais intrigante: “Só vim pela comida”. Já pensou, você naquele evento, aí vem uma conhecida, Ai, amiga, arrasou na unha, que esmalte é esse? E você responde: “Só vim pela comida”. Tá vendo, é esmalte traiçoeiro. Você pode usar, só não pode é dizer o nome.
“Cosmopolite”. Nome de esmalte que se pretende chique. Mas sabemos que quanto mais chique a peçoa umana quer ser, mais cafona fica. Portanto, cosmopolite-se com moderação.
“Cravejada no glitter”. Esse traz partículas de glitter com tons de rosa e é ultrabrilhoso. Deve doer na vista. Olhe, leitorinha amiga, se eu te encontrar usando isso, faço de conta que não vi, tá?
Dizem que o nome do esmalte traduz o estado de espírito ou as intenções da mulher. Se ela estiver usando “Nunca fui santa”, “Pura luxúria” ou “Hoje sim, amanhã talvez”, a noite promete. Se for ”Joga sal grosso” ou “A onça que habita em mim”, é prudente não contrariar. No caso de “Tranquila surtada”, sugiro fingir que vai ao banheiro e sumir. Porém, o que deduzir de uma mulher que está com um “Bicicleta sem rodinha”? Significa que ela gosta de correr riscos? Será uma dica de posição seksual? E “Pirulito língua azul”? Nem ouso imaginar…
Pra finalizar, tem o “Chamei o Zeca pra sair”. Putz, o Zeca tá com tudo. Me deu até inveja dele. Hummm… Tá decidido. Não quero mais ganhar na Mega da Virada, desisto de lutar pela paz mundial. Quero, isso sim, um esmalte com meu nome. Pode ser marrom, que é tendência. Imagine, meu amor, nós dois velhinhos fazendo nossa caminhada na praça, mãozinha dada, bem romântico, aí a moça do quiosque de coco diz que adorou seu esmalte e pergunta qual é. E você, esticando a mão, graciosa: “Ricardinho era bom nisso”. E eu, velho gaiato: Confirmo!


Fique por dentro do mundo financeiro das notícias e opiniões que rolam no Ceará, Nordeste e Brasil.