André Fernandes é um tributo a Palhares, o Canalha? É possível ser tão moralmente comparável ao personagem de Nélson Rodrigues? (Ou “Foi nesse moleque que a senhora e o senhor votaram?”)

Por Roberto Maciel, jornalista:

Não estou certo de que André Fernandes (PL), deputado federal bolsonarista eleito pelo povo do Ceará, tenha feito mau negócio ao espalhar lixo na frente da sede da Prefeitura de Fortaleza – a qual se tivesse vencido a eleição de 2024 estaria ocupando. No fim das contas, estava era falando diretamente a pessoas que pensam como ele, que são capazes de agir como ele, que têm a mesma ética e a mesma moral dele. Nessa perspectiva imunda, fez, sim, um excelente negócio.

André deveria estar naquele ato criminoso tentando comprovar que é um filho que respeita o pai e a mãe, obediente, rigoroso seguidor do que lhe é orientado por que o educou. É o único jeito que tem, com a educação fuleira que se supõe que recebeu, de saudar os 300 anos da cidade que o acolhe. É assim que diz como agiria se tivesse sido premiado com o voto da maioria dos fortalezenses no pleito passado.

Já notabilizado por ensinar na Internet como se deve depilar o ânus, André agora se supera insistindo que a cidade é um buraco igualmente sujo e certamente deve estar mostrando o quanto aprendeu com o pai, o deputado estadual e pré-candidato a senador Alcides Fernandes (PL). Sabia-se que Alcides tinha a prática de pedir dinheiro a fiéis nos cultos evangélicos que realiza, mas não se imaginava que estimulava o filho a ser um sujão.

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O repúdio que André Fernandes merece, então, ser repetido com a mesma força que teve a repulsa por ele ter feito pouco caso do feminicídio (“Feminicídio, dane-se!”). Ou quando, covardemente, exibiu na Internet uma porta arrancada por criminosos golpistas do gabinete do ministro Alexandre de Moraes e depois removeu o conteúdo – covardemente, repito.

O fato é que enquanto depila as partes íntimas André Fernandes não faz mal a ninguém. Mas, quando joga lixo nas ruas e incentiva fanáticos manobráveis a fazer o mesmo, está cometendo crime.

*** ***

Duas observações:

1. Fiz menção a Palhares, o Canalha, personagem de Nélson Rodrigues. Não quis, garanto, rebaixar a obra do “anjo pornográfico”.
2. André Fernandes nem consegue ser autêntico: fez o mesmo que o então vereador Marcus Fernandes (no MDB da época) cometeu nos anos 1980 contra a então prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenelle (PT).

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