Por Joaquim Cartaxo (foto) arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE:
Marshall McLuhan, teórico da comunicação, vislumbrou a Internet antes de sua invenção e predisse a comunicação interativa, na qual, segundo ele, “o meio é a mensagem” e, por meio das crenças, formadoras de um conjunto de sentidos que orientam a experiência pessoal sem exigir comprovação, mensagens são interpretadas e percepções sobre fatos são organizadas.
As fake news (notícias falsas) utilizam narrativas que imitam práticas de comunicação e estimulam a validação e reprodução de conteúdos inverídicos. O indivíduo acessa a informação e a aceita ou rejeita a partir de filtros estabelecidos por suas crenças, conforme vínculos sociais, tradições culturais, visões sobre autoridade, experiências pessoais. Nessa ambiência, as fake news exploram os filtros e constroem enunciados que ativam valores, expectativas e percepções.
McLuhan indica que mudanças no meio alteram estruturas cognitivas humanas. O meio digital amplifica essa lógica e mostra como plataformas digitais modificam práticas de leitura, interpretação e compartilhamento e criam condições favoráveis à aceitação de conteúdos falsos mesmo quando contradizem evidências verificáveis. Enquanto as redes sociais fazem fake news circularem rapidamente, a crença influencia a decisão individual de compartilhar ou não a informação.
Crença e fake news envolvem confiança. As pessoas tendem a validar informações conforme a fonte lhes pareça legítima. As fake news simulam a legitimidade com formas jornalísticas, citações de especialistas inexistentes e dados sem comprovação.
Crenças são parte da superestrutura ideológica que atua para justificar a ordem socioeconômica, alienar indivíduos ou dissimular conflitos sociais. Apoiadas pelas crenças, as fake news alteram pontos de vista, fragmentam consensos e incentivam a adesão a versões discrepantes de fatos checáveis, reduzindo a eficácia da comunicação e sustentando a desinformação.

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