Artigo: “Gimenez, Bolsonaro e Epstein: ‘inocentes’, explicações e comportamento-padrão”

Por Ivan d’Assumpção, escritor:

Luciana Gimenez é uma ex-modelo que se tornou ex-apresentadora de TV. É mãe de um filho do cantor britânico Mick Jagger, da superbanda The Rolling Stones, o que a fez internacionalmente conhecida. Também é popular pelo sensacionalismo em programas de baixíssima qualidade intelectual que comandava. Esse caráter incluía convites semanais para o programa que fazia, no começo dos anos 2000, a um então deputado federal metido a polêmico, valentão e violento: Jair Bolsonaro – era uma atração num “circo de horrores” disfarçado em debates e análises. O parlamentar dividia o palco da Rede TV! com lindas moças desfilando em sensuais peças de lingerie.

Separada do dono da emissora, com quem se havia casado, Luciana foi demitida e retornou ao ostracismo. Mas agora reapareceu por que é citada nos arquivos do pedófilo e pervertido profissional Jeffrey Epstein, encontrado morto anos atrás numa cadeia dos EUA. A documentação de Epstein cita famosos, como o ex-príncipe Andrew, o próprio Jagger e o presidente Donald Trump – embora nem sempre em situações sexualmente comprometedoras. 

E Luciana Gimenez? Pois bem: aparecem em nome dela comprovantes de depósitos bancários de Epstein que somam US$ 12 milhões – o que corresponde a R$ 60 milhões. Isso é um alentado prêmio de loteria, alguém há de comparar. Luciana diz que não sabe que dinheiro é esse, que nunca o viu nos extratos e que vai consultar o banco sobre isso. Tá. análises publicadas na Imprensa independente também não apontam culpabilidade dela.

Ainda assim, Luciana parece seguir uma postura-padrão entres bolsonaristas como ela: diz que não sabe de nada. Assim como Jair Bolsonaro afirmou ser correto meter no bolso joias que pertencem ao acervo da Nação, que patrocinar a morte de 711 mil pessoas na pandemia da covid-19 é de somenos importância, que comprar dezenas de imóveis com dinheiro vivo e que não tem relevância tentar dar golpe de estado, a ex-modelo garante que aqueles US$ 12 milhões na conta não são dela e que não sabe como caíram lá.

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A propósito: Bolsonaro, o mito agora presidiário, já disse que “pintou um clima” entre ele e crianças venezuelanas e que esteve disposto a participar de um banquete canibal. Para completar, a mãe de Luciana, Vera Gimenez – ex-atriz de pornochanchadas dos anos 1970 – apoiou caminhada da extrema-direita de Minas Gerais a Brasília, em que se atacou e ameaçou grosseiramente o Supremo Tribunal Federal e a Democracia.

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Nada do que floresce nesse terreno, a começar pela safra de “inocentes”, surpreende mais.

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