O médico e escritor cearense Maurício Mendes, segue série de encontros em clubes de leitura que discutem a sua obra mais recente O homem não foi feito para ser feliz (Mondru, 184 págs.). O próximo encontro é do clube Leituras Paralelas, amanhã, 1.3, domingo, a partir das 9h, no Parque do Cocó, em Fortaleza. Na segunda-feira, 2.3, o autor participa do Diálogos Literários, do Clube de Leitura da Biblioteca Banco do Nordeste Cultural CAPGV, a partir das 11h, no Hall Cultural (Avenida Dr. Silas Munguba, 5700). Nessa ocasião, após a discussão em conjunto, haverá sessão de autógrafos.
Narrado em primeira pessoa, o romance acompanha Germano, um médico pardo cuja trajetória de ascensão social revela frustrações afetivas, cinismo e um profundo sentimento de inadequação diante de uma sociedade marcada por racismo, misoginia e hipocrisia. A obra conta com textos de blurb e prefácio assinados pelo escritor Santiago Nazarian, segundo blurb por Evelyn Blaut, escritora, crítica literária e diretora do Centro Cultural Astrolabio e terceiro blurb da escritora Natércia Pontes.
“Optei por uma estrutura fragmentada e não linear, entrelaçando flashbacks e conduzindo a narrativa por meio de um narrador-personagem falho e contraditório. Ele se expressa através de depoimentos, diálogos e metáforas, explorando elisões, fluxo de consciência e passagens oníricas”, explica o autor, que define seu estilo como “contemporâneo, irônico, reflexivo, ácido e, paradoxalmente, sensível”.
Para Mendes, que escreve desde a adolescência, a publicação do romance nasceu do medo de que antigas histórias guardadas jamais fossem lidas. “Tive medo que tudo terminasse ali e essas histórias nunca pudessem ser lidas. Foi o evento catalisador para, enfim, dedicar-me a concluir meus projetos literários: o medo do esquecimento.”
Com forte carga crítica, a obra aborda solidão, masculinidade, mercantilização da saúde e racismo. “Sim, trata-se de um romance com forte crítica social, mas não se reduz a isso. Sim, flerta com o sentido e a utilidade da existência, mas vai além. Sim, expõe as entranhas da fragilidade e da misoginia do homem moderno, mas não se resume a essa questão. E claro, é também, uma história de amor, mas nunca apenas isso.”
A complexidade do livro chamou a atenção do escritor Santiago Nazarian:
“Através de um personagem falho e misógino, Maurício Mendes reflete muito sobre a relação homem-mulher e as utopias dos relacionamentos. Pautas tão em voga quanto emancipação feminina e racismo são tratadas de maneira original e mordaz, com um excelente apoio de grandes obras da literatura.”
Nascido em Fortaleza em 1970, Maurício Mendes é médico nuclear com mais de 25 anos de atuação na área. À margem da idealização, seu narrador revela as fissuras de um mundo onde o sucesso profissional não garante plenitude emocional — e onde a crítica social é, acima de tudo, uma busca por sentido. “Escrevo sobre temas que me são próximos, como a questão racial e a mercantilização da saúde, ou outros, tão distantes de mim que me causam assombro e fascínio.”
AGENDA
Clube Leituras Paralelas
O que: Participação de Maurício Mendes no Clube Leitura Paralelas
Quando: 1/3, a partir das 9h
Onde: Parque do Cocó – Av. Padre Antônio Tomás, s/n – Cocó, Fortaleza – CE, 60060-170
Diálogos Literários – Clube de Leitura da Biblioteca Banco do Nordeste Cultural CAPGV
O que: Participação de Maurício Mendes no Diálogos Literários, do Clube de Leitura da Biblioteca Banco do Nordeste Cultural CAPGV
Quando: 2/3, a partir das 11h
Onde: em frente à Biblioteca CAPGV – Avenida Dr. Silas Munguba, 5700


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